segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Serviço ruim, preço alto II

Mais uma pra série Serviço ruim, preço alto.

Aliás, mais duas, já que foram dois fatos, porém como estão interligados vou por os dois no mesmo post.

Plano de saúde.

Minha mãe possui o mesmo plano de saúde há quase 30 anos (entrou em 1985), sempre foi exemplar no pagamento de taxas e tudo mais. Há alguns anos o plano vem passando por problemas financeiros. Os problemas começaram há uns 15 anos, foi pedida uma contribuição voluntária de valor baixo para o pagamento das dívidas, o que foi feito, e tudo parecia caminhar para a solução. Periodicamente, cada 3 meses, recebíamos um relatório dizendo quais dívidas foram pagas, como estava caminhando o processo de recuperação. Eis que depois de alguns anos, quando parecia que a recuperação entraria em sua etapa final, foi eleita uma nova diretoria para o plano de saúde que resolveu roubar de onde já não havia dinheiro. Resultado, voltou tudo ao que estava antes. Pra cúmulo do azar e da coincidência (certamente foi mero "acaso"), houve um incêndio no prédio sede da instituição, que começou pelo andar onde estavam arquivados os documentos, no meio da madrugada, e tudo, o prédio todo, foi destruído. Por "sorte" aconteceu de madrugada, e não houve feridos. Como o prédio é tombado como patrimônio histórico a restauração sai caro...
Bom, já faz alguns anos que o plano oferece um serviço aos associados com mais de 60 anos: o pedido de autorização de exames pode ser feito por fax, e a resposta, tb por fax é prometida para 48 horas. Beleza. O único porém é que a maioria dos usuários desse plano de saúde tem mais de 60 anos.
Semana passada minha mãe me pediu para solicitar a autorização de exames que o médico havia pedido no final do ano. Passei o fax. Isso no dia 19/1/2011 - 4ª feira. Mandei o fax e fiquei esperando a resposta. Nenhuma resposta no dia 20, nem no dia 21, 22, 24. Fui à sede do plano no dia 26 para obter a autorização pessoalmente.
Ao comentar o fato com a funcionária que me atendeu fiquei sabendo que o atraso na emissão de autorizações por fax é de mais de 10 dias. E isso porque há poucos funcionários - aparentemente só um - para fazer esse serviço e ainda atender às urgências - autorizações erradas que precisam ser corrigidas pois o  usuário está no local do exame/fisioterapia/hospital - o que acaba fazendo com que os pedidos que chegam por fax fiquem por último.
Por que oferecer um serviço se não se tem funcionários e condições para prestá-lo? Por que não disponibilizar funcionários diferentes para serviços diferentes? O atendimento de emergências deveria ser feito por outro funcionário, não pelo mesmo, afinal deve acontecer várias vezes por dia de alguém ligar solicitando correção em autorização emitida. Até mesmo a linha de fax e o aparelho devem ser distintos. Erro na cobrança da mensalidade é que não existe.

De posse das autorizações fui hoje levar minha mãe ao laboratório para a realização dos exames. De sangue e urina. Ela tem 85 (oitenta e cinco) anos. Chegamos por volta de 6:10 hs da manhã. Havia 3 pessoas esperando atendimento, uma senhora idosa, um rapaz e um casal. A senhora idosa estava fazendo a ficha, o rapaz foi chamado logo a seguir pra fazer ficha tb, depois foi chamado nosso número e na sequência o casal. Tirando o casal todos os demais iriam fazer exames de sangue.
Bom, ouvi chamarem a senhora idosa enquanto ainda estava preenchendo a ficha de atendimento. Logo que terminei de preenche-la o rapaz foi chamado. Ambos foram embora antes de sermos chamadas.
Detalhe: eu havia avisado à moça do atendimento que minha mãe iria realizar exame de urina e estava com vontade de urinar.
Passa o tempo e nada de nos chamarem pro exame. Fui reclamar com o rapaz que distribui as senhas, ele foi lá dentro e voltou dizendo que podíamos entrar. Quando entrei percebi que as atendentes estavam batendo papo, afinal tirando minha mãe não havia ninguém pra ser chamado. Elas nos deram o frasco para recolher a urina, fui com a mamma ao banheiro e tudo correu normalmente.
Na volta fomos pra cabine pra coleta de sangue. Minha mãe tem problemas de artrose no braço direito, estendê-lo é difícil e dolorido, por isso sempre desenrola a manga do braço esquerdo. A atendente até tentou, com muita má vontade, coletar sangue da veia do braço esquerdo mas acabou tirando mesmo do braço direito. Depois ainda deixou minha mãe com o braço estendido um tempão antes de colocar o band-aid.
Só posso dizer duas coisas: ela tb terá a "sorte" de ficar velha, e receberá atendimento semelhante no SUSto.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Serviço ruim, preço alto.

De modo geral sempre fui bem atendida em lugares como bares, lanchonetes, restaurantes, lojas (exceto sapatarias), e outros lugares onde o serviço é requerido. Sempre me esmerei em tratar os profissionais que me atendem com a devida educação e respeito - e isso não é nada de mais, apenas o devido a todas as pessoas.

Entretanto, tenho percebido que nos últimos meses, quiçá no último ano, a qualidade do serviço prestado em todos os lugares tem decaído tremendamente, na mesma proporção em que os preços dos serviços tem subido.

Vou dar alguns exemplos do que tem acontecido começando pelos serviços bancários, cujas taxas estão sempre altas.

1) Atendimento no Bradesco - quem precisa pagar qualquer conta numa agência desse banco sabe que precisará dispor de tempo, muito tempo. Há poucos caixas normalmente, e, nos dias de grande movimento (como por exemplo dias 5 e 10) nenhuma agência desse banco se dá ao trabalho de colocar mais caixas em funcionamento. A alegação é que as contas podem ser pagas pelo internet banking ou nos caixas eletrônicos. Etnretanto, nem todos são clientes do banco e portanto não podem usar tais recursos. Sem falar que algumas vezes é obrigatório o uso do caixa - recentemente paguei uma conta, cujo pagamento se feito antes gozaria de desconto. Porém ao tentar pagar a conta pela internet, mesmo programando o pagamento para a véspera do vencimento, não consegui que o sistema reconhecesse o desconto, o que me obrigou a pegar fila para pagar no caixa. Fila grande.

2) Atendimento no Banco do Brasil - existe algum outro banco que cobre taxas tão altas e preste um serviço tão ruim? Se existe não conheço. Mantenho minha conta nele apenas porque alguns de meus clientes o utilizam para me pagar, pois por mim, ele poderia falir que não me deixaria triste. Seus funcionários costumam se esmerar em tratar o cliente como se isso fosse um favor. Não é. O cliente está pagando, trata-lo bem, com respeito, prontidão e educação é obrigação de qualquer bancário, muito especialmente do bancário que além de tudo é funcionário público, ou melhor, do público, que é em última instância quem o mantém ali. 


Senhores caixas de banco e bancários em geral: o cliente do banco que vai à agência merece ser bem atendido, pois é ele que mantém seu emprego. Se todos usarem caixas eletrônicos e internet banking os senhores se tornarão dispensáveis e serão demitidos. Pensem nisso antes de nos tratar como se estivessem nos prestando um favor. 

Passemos ao comércio agora: 


Sapatarias: Aqui meu problema começa com os donos das sapatarias que acham que ninguém usa sapatos de numeração pequena/grande e compram apenas UM par de cada modelo nos tamanhos pequenos e grandes. Tem muita mulher que usa 33, 34, 38, 39. Por favor comprem pelo menos uns 3 pares de cada modelo, em todas as cores nesses números. Ah! baixinhas usam salto alto - gostamos de parecer maiores - favor compra-los nos números 33 e 34. Grrrrrrrrrrrr.


O segundo problema são os VENDEDORES. Prestem atenção quando mostrarmos os modelos e não tentem nos empurrar aquilo que não pedimos nem aquilo que é completamente diferente do que escolhemos. Se tem algo que me irrita de cara é escolher duas sandálias de modelos diferentes e ver o vendedor chegar com 5 caixas, sendo que 4 dos modelos são diferentes do que pedi, e 3 são completamente diferentes - na verdade eles escolhem aqueles modelos que você olhou e gemeu baixinho imaginando quem teria o mal gosto de comprar tal sapato/sandália. 


Se não tem o modelo me fale, eu escolho outro ou, vou embora. Empurrar o que está encalhado é muito irritante e afasta o cliente. 


Pelo amor de Deus, não demore meia hora pra voltar, pois o cliente tem outras coisas pra fazer.

Lojas em geral: Se você é vendedor, se aproxima de um cliente em potencial, oferece seus serviços e ele responde que está apenas olhando, não o siga como cachorro vira lata com fome, provavelmente ele lhe respondeu a verdade - mulheres adoram olhar vitrines, mesmo quando não tem intenção de comprar nada - e segui-lo só vai fazer você perder tempo e o irritará sobremaneira. Esse é um dos motivos que adoro supermercado: não tem vendedor fungando no meu cangote quando não quero.

Porém, ofereça os seus serviços, não ignore o cliente, mas se ele lhe disser que está apenas olhando não o siga, além de ser possível que seja verdade, se ele precisar irá chama-lo. Nesse caso atenda-o com solicitude, presteza e atenção. Ele merece tudo isso.


Outra coisa: gostamos de atenção, de lojas limpas, bem arrumadas, com vendedores limpos e bem arrumados. Isso não é luxo é respeito ao cliente. 

Bares, restaurantes, lanchonetes, cafés:Aqui a coisa tá ficando feia. 

Vamos lá:

1) Demora no atendimento - se vou a algum lugar para comer, beber, tomar um café, suco, água, etc, é porque estou com fome ou sede. Demorar 10 minutos para servir um copo d'água é abuso. 

Se é um restaurante ou lanchonete com mesas não demorem para atender o cliente, mesmo que o lugar esteja cheio. Vá até a mesa e veja se ele quer alguma coisa, leve o cardápio (caso não haja cardápios em todas as mesas), anote o pedido. Ninguém merece sentar na mesa e ficar um tempão esperando o garçom se dignar a notar que você está ali. Fome deixa as pessoas irritadas. 

2) Pelo amor de Deus não passe um pedido na frente do outro. Atenda na ordem de chegada, e se não o fizer explique o motivo. Nada é pior que estar num lugar, fazer um pedido e ver a mesa ao lado, que chegou bem depois de você ser atendida antes. Nos últimos meses saí de dois lugares - uma pizzaria e um café - por causa disso. 

Vou contar: 

Pizzaria - fui a uma pizzaria perto de casa com uma amiga, depois de sair do cinema. Pedimos a pizza e dois chopps. A pizza demorou quase meia hora, mesmo com a pizzaria vazia, pois havia uma encomenda grande para entrega. Daí, eles serviram a um casal que chegou pelo menos 15 minutos depois de nós, antes. Levantamos e saímos. Reclamamos ao ponto do dono nos deixar sair sem cobrar a bebida.

Café - ontem fui a um café nos fundos de uma livraria. O local estava cheio. Como estava calor pedi um suco e fiquei em pé no balcão uma vez que não havia lugar para sentar. O rapaz que estava preparando as bebidas/salgados/doces para serem servidas, passou pelo menos 5 pessoas na minha frente. Quando reclamei disse que estava seguindo a ordem, o que não era verdade. Aí ele serviu um bolo e foi preparar meu suco,  quando estava colocando os ingredientes no liquidificador o garçom voltou e disse que o bolo estava errado. Ele parou o preparo do suco e foi trocar o bolo. Nessa hora eu cancelei o pedido. Ele ainda ficou bravo. Detalhe: a pessoa que pediu o bolo chegou bem depois de mim.

3) Se o pedido for de algo quente sirva quente. Nada pior que pedir um café, um chá, uma sopa e isso chegar frio na mesa. Se o pedido for de algo gelado sirva gelado.  Nada pior que chopp quente e sorvete que vem à mesa derretendo. 


4) Se o cliente pedir um prato que acabou, não tem algum ingrediente, ou algo parecido avise. Se não souber na hora que o pedido for feito pelo menos não demore pra avisar.A pessoa poderá pedir outra coisa.


5) O pagamento da taxa de serviço não é obrigatório. E serviço ruim não merece ser pago. Simples assim. Se houve demora no atendimento, falta de atenção, desleixo, erro no serviço, grosseria do garçom, os 10%  não serão pagos. Ponto final. E, da próxima vez que o mesmo cliente aparecer trate-o melhor. É bem capaz que ele pague a taxa de serviço. Se for muito bem atendido é capaz que ele pague até mais que os 10%. Faça por merecer. 


6) Se o cliente reclamar de alguma coisa ouça e responda com educação. Se houver como atender à reclamação do cliente atenda. Nada pior que garçom que atende com desleixo como se estivesse fazendo favor, ou ainda fazendo cara feia e reclamando em tom de voz audível do cliente. Vou dar um exemplo de algo que já ocorreu comigo. Pedi uma porção de queijo provolone num barzinho. Por experiência anterior eu sabia que o bar colocava molho shoyo no queijo. Pedi que não colocassem pois não gosto desse molho. Quando a porção chegou veio com o molho. Pedi ao garçom que levasse de volta e trouxesse outra. A cozinha, ao invés de cortar outra porção de queijo limitou-se a LAVAR o que estava servido e mandou de volta pra mesa. Claro que percebi a manobra, cancelei o pedido, não o paguei e nunca mais voltei ao tal bar - que por sinal ficava na esquina da minha casa. 


7) Mesmo que o lugar esteja cheio não demore para limpar a mesa quando for desocupada. Nada pior que sentar em mesa suja. Isso vale também pra bares/padarias/lanchonetes com balcão. O cliente saiu, limpe. Outro chegou, limpe de novo. Higiene em lugares onde se serve comida é fundamental.


8) Ainda falando de higiene: se vou ao banheiro espero que ele esteja limpo. Se o banheiro estiver sujo presumirei que a cozinha também está. Como diz minha mãe: pelo banheiro se sabe se a cozinha é limpa. Eu não volto a comer em lugares sujos. Além é claro de fazer propaganda negativa. 


9) Se não aceita cheque, cartão de débito, de crédito, avise. Se não tem troco se vira, é obrigação sua ter troco não do cliente.   Se oferecer troco em bala, chiclete, etc, lembre de aceitar pagamentos da mesma forma.

Taxistas:
1) Quem recusa corridas curtas, especialmente em dia de chuva, não merece pegar corridas longas. Cliente é cliente.


2) Se não tem troco se vira, é obrigação sua ter troco, não do cliente.


3) Se for arredondar o valor para cima pergunte ao cliente se pode, mesmo que seja só R$ 0,10 (dez centavos). Moeda também é dinheiro e eu gosto. Se for um cliente habitual lembre de dar o desconto na próxima corrida.


4) Pelo amor de Deus não faça o caminho mais longo pra faturar mais. Isso é o cumulo do desrespeito e ninguém gosta. O passageiro não é burro.


5) Se o passageiro não puxar papo fique na sua. Nada pior que motorista intrometido. Se o passageiro puxar papo converse. Você não conhece a pessoa, não sabe o que ela está pensando, sentindo, o motivo por que está indo pra tal lugar. Nem sempre a pessoa está com vontade ou condições de conversar. 

Médicos, dentistas, juizes, esteticistas, cabelereiros, massagistas, etc: 

1) Se você marcou um horário respeite-o. A outra pessoa se esforçou para chegar na hora, muitas vezes tem outros compromissos, ou está cansada. Hoje em dia ninguém mais tem tempo a perder, o trânsito não ajuda, os compromissos se acumulam. Nada pior que marcar uma consulta para as 14 horas e ser atendido às 15:30 horas. Se atrasar peça desculpas, pois o errado é você. E redobre a atenção, gentileza e simpatia. 


2) Se você presta serviços como conveniado e o convênio paga pouco o cliente não tem nada com isso. Trate-o bem ou deixe de atender a tal convênio. Respeito é bom e todo mundo gosta.

Regra geral de ouro para todo o prestador de serviços: trate seus clientes da mesma forma como gostaria de ser tratado, lembre que muitas vezes é você quem está do outro lado. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ser turista em minha própria cidade

Nasci, cresci, e fora por um período curto de 5 anos, sempre morei em Sâo Paulo, no mesmo bairro. E, muito provavelmente, quando morrer serei enterrada no cemitério que fica há 2 quarteirões da minha casa uma vez que tanto a família da minha mãe como a do meu pai tem jazigos ali. Chamo a isso de bairrismo na mais pura acepção da palavra.

Hoje resolvi tirar um dia de férias. Férias da mamma, férias da casa, férias de tudo. Um dia só meu.

A princípio pensei em ir para a praia, mas, o dia estava nublado, e geralmente quando está nublado aqui, está nublado lá em baixo também. Resolvi ficar em São Paulo mesmo.

Saí de manhã e fui para o SESC renovar minha carteira de usuário e tentar comprar ingressos pro show da Fafá de Belém, mas não consegui os ingressos - quase esgotados só restavam lugares ruins.

Depois fui ao meu lugar especial na cidade: o Bosque do Morumbi, oficialmente chamado de Parque Alfredo Volpi. Um pedaço de mata atlantica preservada, com trilhas de terra. Maravilhoso, e pequeno. A meleca este ano é o estacionamento que está com metade das vagas. Caminhei, meditei e tive alguns insights bem interessantes.

De lá fui ao ao centro da cidade. Almocei no mesmo restaurante que costumo almoçar às sextas-feiras, fui à igreja de São Bento onde tive uma conversa com meu velho amigo JC, pedindo ajuda pra resolver alguns problemas e agradecendo por tudo que já consegui e conquistei, por tudo que sou e aprendi.

Quando saí de lá fui até o prédio do Banespa, aquele que parece com o Empire State, pra olhar o visual lá de cima, do mirante da torre. Sobe-se de elevador até o 26º andar, aí baldeia-se para outro elevador até o 32º andar, sobe-se mais 2 lances de escada. Aí se espera numa sala que é ao mesmo tempo sala de espera e museu do edifício Altino Arantes - o nome oficial do prédio do Banespa - antes de se subir pela escada em caracol em direção ao mirante.

O mirante propicia uma vista em 360 graus da cidade de São Paulo. Dali se vê como a cidade é grande. Dali se vê os principais pontos turisticos dela do alto. Vê-se do alto o edifício Martinelli, o viaduto Santa Efigênia e seu piso de mosaico, a catedral da Sé, o Fórum João Mendes, a rua 25 de Março, o Mercadão, o Ed. São Vito sendo demolido, a av. Paulista, a radial Leste, o pico do Jaraguá. Se o tempo estivesse bom daria pra ver muito mais coisas.

Voltei pro Bosque por um caminho alternativo, diferente do que normalmente uso.

Foi interessante ver e viver a cidade como turista. Adorei. Acho que repetirei isso mais vezes.

Mas, lá no mirante deu para perceber o quanto é imensa, divesificada e viva esta cidade. É como um organismo vivo, dá pra sentir sua pulsação rápda. Dá pra perceber o quanto somos pequenos perto dela, e, ao mesmo tempo dá pra sentir que ela só existe porque existem seus moradores, seus cidadãos urbanóides que a xingam todo dia, mas não conseguem deixa-la. Sendo assim poderiam demonstrar mais seu amor por ela ao invés de manifestarem tão claramente seu descaso.

Quando cheguei em casa estava começando a desabar um toró daqueles que inundou boa parte da cidade. Como em todo verão, seja que ano for, seja quem for o prefeito. Essa é a minha São Paulo.

sábado, 1 de janeiro de 2011

SÃO SILVESTRE - A PRIMEIRA NINGUÉM ESQUECE

A corrida de São Silvestre é parte da minha vida desde que nasci. Nasci numa maternidade tradicional que fica numa travessa da Av. Paulista (a Pró-Matre), na época em que um prefeito maluco resolveu transformar a avenida em via de mão única. Um maluco como tantos paulistanos. Na época em que era criança, e mesmo adolescente, a corrida era de noite, muitas vezes os participantes ainda estavam correndo quando o ano virava. Uma maneira diferente e gostosa de comemorar o revellion. Cá pra nós: bem simbólica também, afinal o paulistano vive correndo.

A corrida de São Silvestre de 2010 foi a 86ª edição da competição, e a primeira de que participei.

Fui para a Paulista uma hora e meia antes do horário da corrida. Para evitar trânsito resolvi fazer um caminho um pouco fora do normal e subi a Alameda Campinas e consegui parar o carro três quarteirões abaixo da Paulista.

Logo que entrei na avenida dei de cara com um rapaz, corredor, equilibrando uma melancia na cabeça, cercado de gente que queria tirar fotos dele. Me misturei aos corredores, tentando chegar mais a frente, pra evitar perder 10 ou 15 minutos pra chegar ao pórtico de largada. No caminho passei pelo Rei Roberto Carlos, de terno azul, microfone e rosas brancas e vermelhas, mais um carro de mão que tocava suas músicas.

Próximo ao edifício da FIESP eu parei, a partir dali já estava bem compacto. Vi passar por mim um homem das cavernas, que depois vi no Globo Esporte,  achei que fosse o Bambam, depois vi o Fred Flinstone. Dali a pouco Don Diego de La Vega, ou melhor, Zorro, passou por mim.

A largada da elite feminina sinalizou que faltava pouco para todos largarem. Mesmo no aperto que estava me alonguei o melhor que pude e me levantei. O locutor oficial anunciou a largada da elite masculina e do pelotão geral. Adrenalina a mil, começamos a andar e menos de 5 minutos depois passei pelo pórtico e acionei o cronômetro.

Perto de mim o representante de Aracaju era muito aplaudido – nunca imaginei que houvesse tantos sergipanos em SP. O primeiro quilômetro e meu tempo estava bom, uns segundos menos que sete minutos, bem na entrada da rua da Consolação. Um corno ganhava muitos aplausos, bem como meu amigo Zorro – corri próximo a ele pelo menos por 9 Km.

Estava sedenta ao chegar ao primeiro posto de hidratação no quilômetro quatro. No quilômetro cinco se inicia a subida do Minhocão (elevado Costa e Silva pros não paulistanos), e eis que topo com um camarada correndo de costas. Aí cometi meu pior e maior erro: me desconcentrei e pisei em falso numa das tachas que sinalizam o chão. Acabei torcendo o pé esquerdo.

O grito que dei chamou a atenção dos corredores que estavam perto. Fui para o guard rail de concreto que separa as duas pistas do minhocão, aos prantos. Como assim eu não ia conseguir terminar de correr? Uma corredora, uma japonesa baixinha e miudinha, veio na minha direção, me deu seu copo d’água. Não sei seu nome, nunca a vi antes e não tornei a vê-la depois, mas quero registrar minha gratidão.

A princípio pensei que estava tudo acabado, todo o treino, todo o sonho. Só que sou persistente, ou teimosa como diria a minha mãe, e resolvi que iria continuar. Levantei e fui em frente. Diminuí meu ritmo e passei a pisar mais firme com o pé direito, o que levou à formação de duas bolhas na parte gordinha abaixo do dedão – a parte em que costumo pisar.

Lá pelo quilômetro oito veio a notícia de que Marilson dos Santos tinha vencido a corrida, estávamos próximos da Barra Funda, numa rua residencial, e o corro de “Marilson, Marilson, Marilson” uniu corredores e público. Uma senhora tentou nos refrescar com a água de uma mangueira. Nessa ocasião o meu amigo Zorro estava quase desistindo, resolveu caminhar um cadinho, e só ouvi um gaiato gritar a ele: “Corre Zorro que o Sargento Garcia vem aí”, caí na risada involuntariamente. Pobre Zorro...

Passou por mim um rapaz cuja fantasia não entendi, mas, que deve ter provocado um belo suadouro. Ele trazia às costas um imenso tapete, bem peludo. Só de imaginar o calor já comecei a suar – mais ainda.

Lá pelo quilômetro dez eu quase desisti, mas lembrei que já tinha percorrido 2/3 do trajeto, a metade dos quais com o pé torcido, e resolvi que agora eu ia terminar de qualquer jeito. Avenida Rio Branco, largo do Paissandu, pedi um Bauru e ninguém no Ponto Chic pra me servir um, rs. Viaduto do Chá, rua Líbero Badaró, e a marca de 12 quilômetros cumpridos. O chão molhado, melado e cheio de embalagens plásticas que a princípio pensei serem camisinhas usadas. Eram chupa-chupas de isotônico jogados pelos corredores que passaram antes. Um perigo, pois o piso ficou escorregadio. No Largo de São Francisco dei um oi pra Chicão, em sua igreja, saudei as Arcadas, e segui. Ao virar a esquina do Largo se tem uma visão maravilhosa do que há adiante.

A visão em linha reta, era de um mar de corredores, que desciam em direção à rua Maria Paula e depois de cruza-la se chega ao início da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Dali de cima se vê a descida e o princípio da maior subida da prova. Pedi ajuda ao meu pai pra conseguir subir tudo e fui em frente. Quase pude ouvi-lo dizer: pé na tábua Véia!

Subi a Brigadeiro parte correndo e parte caminhando. Quando avistei o Extra firmei o passo, já havia cumprido 14 quilômetros, faltava só um. Em alguns momentos da subida cantarolei: me leva que eu vou, sonho meu...

Entrei na Paulista gritando de euforia e cruzei a linha de chegada ao lado da Mulher Maravilha, quando o cronômetro marcava uma hora e cinqüenta e nove minutos (tempo bruto) e meu Polar marcava uma hora e cinqüenta e três minutos.

Oficialmente meu tempo líquido foi: uma hora cinqüenta e dois minutos e trinta e três segundos – 1h 52’ 33”, fiquei em 373º lugar na faixa de mulheres entre 40 e 44 anos.

Passei o final de ano com dor nos pés e muito feliz!

Ano que vem tem mais.