domingo, 31 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro

O filme de José Padilha estreou há algumas semanas, logo após o primeiro turno das eleições. Fui assisti-lo hoje, depois de deixar passar o primeiro momento de cinemas abarrotados.

Basicamente já sabia que o inimigo agora estavam na própria polícia e em políticos. O trailer, e as entrevistas do diretor, ator principal e mesmo textos de críticos deixaram escapar isso.

A ligação entre policiais corruptos, crime organizado e política é antiga, embora pouco seja comentada.

O filme não fala, a rigor nenhuma novidade. Embora de maneira esporádica e pouco profunda, tudo que José Padilha narra no filme já foi objeto de artigos, reportagens, estudos em jornais e revistas. O filme apenas deu e dará mais visibilidade a situação. Talvez provoque uma reflexão. Embora eu pense que deveria provocar questionamentos e cobranças de nossos dirigentes. Até agora não vi nada disso.

Minha impressão é que o filme mostra algo que ninguém quer ver, então, está sendo encarado apenas como um filme de ação, um filme policial, como se nada ali remetesse à realidade, como se nada do que é mostrado ali nos dissesse respeito. Para muitos talvez o Cel. Nascimento seja um Rambo brasileiro, ou quem sabe um Batman sem capa nem máscara.  Só que o Rio de Janeiro não é Gottan City.

O filme não fala apenas sobre o Rio de Janeiro, embora a história se passe lá. Policiais e políticos corruptos existem em todo o território brasileiro, na verdade, existem no mundo todo. Porém, como metáfora, o filme retrata a realidade brasileira de maneira clara.

Sempre detestei filmes que retratam de forma falsificada a "realidade brasileira" pois, em sua maioria são simplistas, mostram os pobres como bons os ricos como maus, a miséria como uma redenção. Quando tratam de política caricaturam nossos políticos e retiram dos eleitores a responsabilidade pelos atos praticados por aqueles que os elegem.

Tropa de Elite 2 não comete esse erro. Há políticos desonestos e outros honestos. Há policiais corruptos e honestos. Há os bem intencionados, e aqueles que erram conscientemente. De modo geral os personagens são nuançados - mesmo o Cel. Nascimento.

Gostei do filme. Vale a pena ser visto e merece que quem o assitir reflita sobre seu conteúdo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Educação e criatividade deveriam caminhar juntas

porém não é o que tem acontecido. O vídeo abaixo mostra como, infelizmente, a educação formal tem ajudado a "matar" a criatividade.
Para quem não domina o inglês, há a possibilidade de ver com legendas.


Ken Robinson says schools kill creativity | Video on TED.com

Educação e criatividade deveriam caminhar juntas

infelizmente não é o que tem acontecido.
Interessante e esclarecedora a palestra de Ken Robinson no TED.
http://video.ted.com/talks/podcast/SirKenRobinson_2006.mp4

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sobre tudo e coisa nenhuma

As últimas semanas tem sido marcadas por vários assuntos:
eleições
quem vai morrer em Passione
trabalho
estudo
filmes e livros.

Particularmente, já estou cheia de discutir política. Por vários motivos: na minha opinião as pessoas tem posição firmada, pelo menos em sua maioria. Vota-se porque se gosta ou não se gosta de determinado candidato. Ideologias são pouco discutidas pela maioria das pessoas. Voto em quem gosto, ou até, para não eleger quem não gosto. Acho que essa é a forma como a maior parte das pessoas votam. Dificilmente um debate ou o horário político, que não assisto, muda minha opinião. Até porque o horário político é uma peça de marketing das mais vagabundas, que mostra tudo menos quem é o candidato e quais suas propostas para o país. Se fosse propaganda comercial seriam autuados pelo Código de Defesa do Consumidor por propaganda enganosa. Todos os candidatos sem exceção.

Quem vai morrer em Passione? Sei lá. Espero que todos os 5 personagens cotados morram. Especialmente as chatonildas da Melina e da Diana. Elas podiam travar um duelo e morrerem ambas. Daí o Gerson e o Mauro poderiam ficar juntos...

Estudo recomeçar sempre, todo dia é dia, um pouco por vez. Sempre faço isso, só preciso fazer de forma mais ordenada.

Trabalho: muito. Renda: pouca. Como sempre.

Filmes e livros: a pilha de livros da minha cabeceira está vergonhosa. E dos filmes que gostaria de ir assistir e não vou tb. Aff!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições e a Lei da Ficha Limpa II

A Lei da Ficha Limpa está em vigor ou não? Aparentemente está. 
Os candidatos barrados por ela e que recorreram da decisão, ou seja, que estão sub judice, apareceram com 0 (zero) votos na publicação de resultados. Tais votos são contados como nulos. 
Entretanto para a população isso nada quis dizer. 

No Rio de Janeiro o ex-governador Antony Garotinho teve cerca de setecentos mil votos. Em São Paulo o ex-governador Paulo Maluf teve quase quinhentos mil votos. Outros candidatos do Estado de São Paulo tiveram outros duzentos mil votos. No Amapá Cássio Cunha Lima teve mais de um milhão de votos. No Pará Jader Barbalho e Paulo Rocha (candidatos ao Senado) tiveram juntos mais de três milhões e meio de votos. Ou seja: só aí mais de cinco milhões e meio de eleitores votaram em candidatos "ficha suja". Fora outros Estados e candidatos de ficha "limpa", a saber, aqueles que todos sabem que são corruptos mas, fazem de tal forma que não se consegue comprovar seus crimes. Por enquanto.

O que isso significa? Que a população não está nem aí se o candidato é ou não corrupto. Se a população se importasse esses candidatos não teriam tido tal quantidade de votos. Poderiam ter alguns poucos votos, mas, nunca algo que fizesse deles campeões de votos em seus Estados.

Será que a Lei da Ficha Limpa, uma Lei de iniciativa popular, é realmente "de iniciativa popular" ou de apenas uma parcela pequena da população? Está na hora de se pensar nisso. Fica o convite aos "formadores de opinião" e para aqueles que defendem com unhas e dentes a lei. 

sábado, 2 de outubro de 2010

Eleições e a Lei da Ficha Limpa

Depois do Supremo Tribunal Federal se manifestar a respeito da chamada Lei da Ficha Limpa, tendo o resultado sido o empate no julgamento da ação proposta pelo candidato Joaquim Roriz, por conta do Excelentíssimo - ou seria Esse Lentíssimo? - Senhor Presidente da República não ter tido tempo nos últimos três meses para nomear o substituto do ministro Eros Grau que se aposentou compulsóriamente.
O STF arquivou a ação e deixou sub-júdice todos os candidatos com "ficha suja" até que se nomeie um novo ministro. Creio que seria muito bom se pudesse ser acolhida a sugestão do Ministro Marco Aurélio de convocar o responsável pelo empate. Como será que o Lula votaria?

Acho que a iniciativa da lei muito boa porém acho que há um descompasso entre os que elaboraram a lei, aqueles que assinaram por sua propositura (já que é uma lei de iniciativa popular) e boa parte dos eleitores.

Pela lei o candidato condenado por qualquer crime não pode se candidatar. Entretanto, a história das nossas eleições demonstra que candidatos sabidamente corruptos são reiteradamente eleitos. Muitos há que estão no Congresso Nacional há décadas, com votações expressivas. Outros há que continuam sendo eleitos para cargos no executivo - prefeitos, governadores - mesmo com passado de corrupção e condenações na justiça. Outros ainda apesar de terem perdido os direitos políticos temporariamente, como um certo ex-presidente da República, quando os recuperam conseguem voltar à vida pública com votações expressivas.

O que vejo são sinais trocados: parte pequena da população deseja que seus políticos sejam pessoas probas, honestas, interessadas no bem público, porém, parte ainda maior ainda da mesma população não se importa com tal quesito, visto que reiteradamente elege corruptos para vários cargos.

Particularmente não costumo votar em quem sei ser corrupto. Risco da minha lista de elegíveis para todo o sempre.

Mas, conheço várias pessoas para quem isso não importa. Alguns seguem o "rouba mas faz", outros preferem um pragmatismo falso dizendo que todos os políticos são corruptos e portanto não adianta escolher pela honestidade, há aqueles que dizem que a vida política corrompe de modo que os mais bem intencionados acabam se corrompendo, outros falam que político honesto tem vida curta pois não consegue se impor num meio corrompido.

Minha opinião pessoal é que só conseguiremos mudar nosso meio político se elegermos, de forma contínua, políticos honestos. Só assim conseguiremos mudar alguma coisa. Só assim conseguiremos expulsar de vez os velhos políticos para casa, tirando-os dos palácios de governo, assembléias legislativas, senado, câmaras federal e municipais de vez.

Demora mas, dá resultado.