segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Filme Nosso Lar II

Após ouvir muitos comentários finalmente assisti o filme Nosso Lar, baseado na obra do espírito André Luiz, psicografado pelo médium Chico Xavier. Apesar do hábito de dizer-se que o livro é do Chico, ele não é o autor do livro, seu autor é o espírito André Luiz. 


Basicamente gostei do filme. Seus principais defeitos são os mesmos do livro: é excessivamente didático, e passa muito mais conceitos católicos do que espíritas. Isso fica muito mais claro  e evidente no filme do que no livro. 


A história é bem adaptada, embora muita coisa tenha ficado de fora. O filme, mais que o livro, se concentrou em contar a história do personagem André Luiz. No livro a história pessoal do personagem é menos importante que a narrativa do mundo encontrado, suas descrições, e as lições aprendidas. Em seu prefácio o espírito Emmanuel define o livro como uma reportagem do mundo espiritual. 


De modo geral achei bem adaptado. Como toda a adaptação o filme perde feio em qualidade para o livro. 


Os defeitos do filme entretanto são vários: o primeiro é a escolha do ator para protagonista. Com tantos bons atores por aí porque escolher um desconhecido sem qualquer expressividade? Péssima atuação. Isso compromete muito o filme.


A segunda questão é que vários episódios importantes do livro ficaram de fora. O de que mais senti falta foi o de Francisco.


A terceira questão é o cenário. Diacho de cenário pseudo-futurista feio pra caramba. Me senti assistindo um daqueles filmes de ficção científica dos anos 60 ou, um desenho animado dos Jetsons. Sem falar na cópia descarada de Brasília. Em Nosso Lar também tem esplanada dos ministérios - sem falar que 72 ministros é um número excessivo para apenas 6 ministérios (isso já é uma arara repleta da cabides de emprego). 


A quarta questão é em relação às roupas usadas. Por que cargas d'água os bons sempre se vestem de branco, bege e cores pastéis? Gente boa também gosta de vermelho, preto, marinho, amarelo, verde bandeira, etc. 


A quinta e última questão vai para o tom meloso-açucarado-enjoativo das vozes dos atores na maior parte das vezes. Será que em Nosso Lar as pessoas não falam normalmente? Sim, eu sei que lá a comunicação é pela mente, que as pessoas não precisam falar para se comunicar, mas, dava sono aquele tom monocórdio de gente boazinha falando. Por algum motivo que não vou analisar aqui, gente que fala como no filme me soa muito pouco sincera, pra não dizer que soa falsa. 


De modo geral gostei do filme, nota 7.


Se puder leia o livro, mas, não esqueça: antes de mais nada, se seu objetivo for conhecer a doutrina espírita, leia primeiro O Livro dos Espíritos de Allan Kardec. 





segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Alma Imoral

“'A Alma Imoral' mostra que, num mundo de interdisciplinaridade, religião e biologia, tradição e sobrevivência, continuidade e mutação não são áreas desconexas. Mais do que tudo, num mundo que redescobre o corpo, faz-se necessária uma nova linguagem para descrever a natureza humana. Os milenares conceitos de corpo e alma, propõe Bonder, são o primeiro registro de uma proposta biológica – de estudo da vida e de suas leis.

Num texto que provoca a comparação entre preservação e evolução com tradição e traição, "A Alma Imoral" aponta para um paraíso onde os únicos mandamentos eram "multiplicar-se" e lidar com a questão da "transgressão". A consciência humana é formada desta descoberta fantástica de que nossa tarefa não é apenas a procriação, mas, nas condições certas e na medida certa, transcender a nós mesmos. Esta traição para nós mesmos, que é vital para a continuidade da espécie, gera o conceito de alma.”

A Alma Imoral de Nilton Bonder foi o último livro que li e, talvez um dos livros que mais mexeram comigo. Desde muito tempo que um livro não provoca tantas reflexões, e sentimentos contraditórios em mim.

A quebra de paradigma começa logo no início do texto ao demonstrar como o corpo é conservador convivendo de forma íntima com a alma transgressora.

Usando de exemplos tirados da Bíblia e de escritos hebraicos Nilton Bonder vai exemplificando que a diferença entre o “bom” e o “correto” bem como a mudança no conceito de bom gera mudança no conceito de correto.

A alma transgressora ao lado do corpo conservador, a dicotomia presente na humanidade desde o princípio dos tempos.

Além desse tema, que é o centro do livro, de forma paralela aborda-se uma análise interessante de vários personagens bíblicos, como a história de Adão e Eva, Abraão, Moisés, Jesus.

Acostumada que sou a ler tais histórias sob o prisma cristão, lê-las sob o prisma de um rabino, ou seja, do prisma judaico foi muito instrutivo e revelador. A diferença de abordagem, de visão, bem como o acréscimo de informações que o cristão comum não possui, foram muito reveladores.

Um livro instigante e muito interessante.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Filme Nosso Lar

Muitos espíritas e não espíritas tem ido assisitr o filme "Nosso Lar" baseado na obra do espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier.

Minha opinião é polêmica sobre o espírito autor do livro e sobre o livro em si. André Luiz foi um médico católico (ele o fala no livro) que escreveu um livro contando como o mundo espiritual é diferente do que ele esperava encontrar depois da morte. Muitas das opiniões expressas no livro são católicas, muito especialmente o capítulo 50 que contraria frontalmente O Livro dos Espíritos.

Infelizmente, no Brasil, não há o hábito da análise lógica daquilo que se lê, especialmente daquilo que é considerado pela maioria como religião - algo que a Doutrina Espírita não é. Nossa raiz católica faz com que aceitemos como "cristão" um ensinamento que na verdade pertence a uma religião específica, a Católica.

Se um espírita quiser pregar a reencarnação numa igreja católica, no curso de catecismo por exemplo, não será aceito. Entretanto, os espíritas aceitam que se ensinem conceitos católicos em seus centros, livros, revistas, etc. Já ouvi espírita falando que "o que Deus uniu o homem não pode separar", quando o OLE (O Livro dos Espíritos) diz que isso é lei humana e que o divórcio é muitas vezes necessário. Vejo conceitos como "poligamia informal" ser defendida em livros com "Nosso Lar" quando o OLE diz que isso é sinal de atraso moral e condenável. Vejo em livros como Nosso Lar conceitos machitas de que a mulher deve ficar em casa, sem trabalhar, pois isso não é sua função, que seria apenas cuidar do lar e dos filhos, e as únicas atividades extra-lar que lhe seriam permitidas são as de enfermeira e professora,  quando o OLE diz que o espírito não tem sexo e pode encarnar tanto em corpos de homens como de mulheres conforme a necessidade de sua evolução.

As críticas que faço, há muitos anos, ao livro Nosso Lar, são agora corroboradas por outra pessoa. Sugiro que assistam ao vídeo abaixo, muito esclarecedor.

Terceira Revelação na TV PGM 069 Parte 02 de 05