domingo, 11 de julho de 2010

Minha paciência com gente melindrosa é pequena, quase inexistente.


Sabem aquelas pessoas que adoram chamar a atenção e fazer drama? Então, eu detesto e quero distância. 


Hoje tive um acesso por causa de uma pessoa assim. Me pediu segredo de uma coisa, aliás, pra não contar pra minha mãe uma coisa. Daí, como agi de acordo, ou seja, não contei pra minha mãe e procurei não dar bandeira do fato, virei o ogro. A criatura queria atenção. 


Aí, quando num telefonema de rotina minha mãe ligou pra casa dela, ouviu que sou desatenciosa, pouco educada, etc, etc, etc. Será que posso replicar tudo que penso da criatura? Duvido que ela gostasse de ouvir. Como sempre só olha pro próprio umbigo.

Paciência

Senhor me dê paciência, porque se eu pedir força, eu mato um!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nossa Bandeira - Guilherme de Almeida

Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas:
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos paulistas!

Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!

Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rôta de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou as sombras da morte.

Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixara a chata
Das Monções subido o rio.

Página branca-pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:

Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!

Mapa da pátria guerreira
Traçado pela vitoria:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!

Tiras retas, firmes: quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.

São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.

Fuligem das oficinas;
Cal que das cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!

Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.

Desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!

Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista!
Que traz, no topo vemelho,
O Coração do Paulista!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Caso Bruno

Geralmente acompanho de longe esses casos de crimes rumurosos. Aprendi, no último ano de faculdade, com uma professora bastante realista, que raramente a imprensa noticia de forma correta esse tipo de crime, seja por escolher um lado (o que acaba atrapalhando na hora de noticiar, especialmente se depois ficar demonstrado que  o lado escolhido era errado), seja por noticiar de forma imprecisa por falta de conhecimentos técnicos-jurídicos - o que nos últimos anos diminuiu muito com a consulta à internet e a especialista.

De todo modo o caso desse goleiro Bruno vem me chamando a atenção por alguns motivos que vão além do crime em si. É que mais uma vez nosso ancestral machismo veio à tona e à toda.

Desde as declarações absurdas da mulher de Bruno, que foi capaz de pegar o filho dele e levar para longe, não apenas praticando um crime (subtração de incapaz) como também justificou tal atitude dizendo que o havia feito porque a criança era a prova de uma traição. Ora minha senhora, que culpa tem um bebê se seu marido não consegue lhe ser fiel? Resolva seus problemas íntimos com ele não jogue a culpa em alguém que nessa história é apenas vítima.

A própria situação em si já recende ao nosso machismo básico: um homem casado tem um caso com uma mulher solteira, ela engravida; a princípio ele tenta obriga-la a um aborto, fazendo com que ingira uma beberragem abortiva (há declarações dela e exames médicos que o comprovam), como não dá certo a abandona. Por fim, de alguma maneira a moça desaparece depois de ter ido ao sítio de propriedade do rapaz.

Crianças não são feitas por geração espontânea. Há a participação de duas pessoas para se fazer outra. Quando a gestação decorre de meios naturais - relação sexual - é porque pelo menos o homem quis a relação. Assim, a responsabilidade pela criança é dos pais - ambos.

Um homem que foge à responsabilidade pelo filho que gerou, mesmo as duas mais básicas: dar nome e sustentar, pode ser macho, pode ser um bom reprodutor, mas, NÃO É HOMEM. Hombridade vai muito além de macheza.

Porém, o que mais tem me chocado, espantado, deixado de boca aberta, é a tentativa de justificar o crime utilizando o comportamento da vítima. Seja qual for a profissão da moça nada justifica um assassinato. Quem está usando o comportamento dessa moça, sua profissão, para tentar jogar-lhe a culpa pela própria morte a está assassinando pela segunda vez. Seria muito bom que lembrassem disso. Assassinatos morais contra aqueles que não podem mais se manifestar, e cujos parentes não tem a mesma condição econômica do acusado (já que não existem provas de que o goleiro seja o assassino), nem os meios para defenderem a moral do ente querido da mesma forma, é mais que tudo, algo torpe e covarde.

Vamos ver qual será o comportamento da imprensa e da sociedade brasileira nesse caso. Será Eliza assassinada moralmente depois de o ser fisicamente? Espero que não.

domingo, 4 de julho de 2010

A Elegância do Ouriço - Livro


À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou - por que não? - duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A elegância do ouriço, seu segundo romance


Trata-se de um livro encantador, escrito com elegância, leveza, embora trate de coisa mais séria e profunda. Duas pessoas separadas pela idade e pela classe social fazem o painel da vida num prédio de luxo em Paris. O retrato ao mesmo tempo cáustico e doce da vida social moderna, num microcosmo.

Renée é uma zeladora, concierge, de um prédio de alto luxo em Paris. Culta e refinada, esconde suas melhores qualidades por trás de uma fachada de mulher simples e ignorante. Apenas sua melhor amiga, a faxineira portuguesa Manuela, toca pouco abaixo da superfície da mulher fechada e ranzinza. Paloma é uma menina de 12 anos, rica e moradora do 5º andar do prédio onde Renée é concierge

Ambas mantém seus "diários", onde anotam seus pensamentos, acontecimentos e impressões sobre o que as rodeiam.

Ambas escondem de todos ao redor sua cultura, inteligência e sensibilidade, por motivos diferentes. 

Ambas são abaladas com a chegada de Kakuro Ozu, milionário japonês que se muda para o quarto andar o prédio. 

A mistura de personagens e situações, do cocker lúbrico Neptune à beata senhora Brogie, passando por esnobes assumidos e não assumidos, por famílias felizes e por aquelas que apenas tem tal fachada faz do livro uma incrível reflexão sobre a vida em sociedade tendo como pano de fundo o luxuoso endereço da rua Grenelle Nº 7.

Uma reflexão sobre o quanto escondemos a nós mesmos o porquê o fazemos, nossos preconceitos, o quanto nos deixamos paralisar por aquilo que pensamos que a sociedade espera de nós, e pelo que esperamos dos outros. Qual o motivo pelo qual escondemos nossas melhores qualidades? Nossa cultura, nossa sensibilidade? Que medos se escondem por trás dessa "discrição"? 

Belo livro, deliciosa leitura e ótimas reflexões.