segunda-feira, 24 de maio de 2010

Quincas Berro D’Água



Fui assistir hoje ao filme Quincas Berro D’ Água, baseado na novela literária A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado. O livro é uma das duas obras primas do autor, a outra é Tenda dos Milagres – opinião pessoal.

O livro e o filme falam sobre o que acontece a um defunto nas vinte e quatro horas seguintes à sua morte. No livro a história é contada como se a princípio tivesse ocorrido uma morte aparente, e o “morto” tivesse ressuscitado durante o velório, e, posteriormente tivesse morrido afogado. No filme é mostrado como morte real e os amigos do morto pegam seu cadáver, levam para a farra, sem aceitar sua morte, comportando-se como se Quincas não houvesse morrido.

A base da história é a mudança de vida do personagem principal. Quincas é um pacato funcionário público, cuja filha única é casada, que um dia se enche da vidinha regrada, de pequeno burguês, pacato pai de família, e, joga tudo para o alto, sai de casa e passa a ser o rei dos vagabundos da Bahia.

O pai de família Joaquim se torna o boêmio Quincas. O homem sóbrio o bêbado que nunca mais bebe água, apenas cachaça. O pai de família o frequentador de puteiros.

Para justificar seu sumisso a família inventa que o Comendador foi morar na Europa e lá morreu.

A morte de Quincas aproxima sua família de seus amigos. Obrigados a conviver no velório, ve-se o choque entre aqueles que ali estão por obrigação – sua família – e os que estão ali por amizade e amor sinceros – os vagabundos, bêbados e putas.

O filme dá destaque a um personagem que no livro é citado de forma apenas passageira: a filha de Quincas, Vanda. Mariana Ximenes a interpreta muito bem. Mais que a mudança radical de Quincas o filme mostra a transformação que a morte do pai provoca em Vanda. Na morte a filha se aproxima mais e profundamente do homem com quem não convivia há mais de década e meia.

Muito bom o filme, vale muito a pena assistir.

Maravilhoso o livro – como sempre melhor que o filme. Leiam pois é leitura indispensável.

sábado, 8 de maio de 2010

Mentiras sinceras me interessam (Cazuza)

Por que mentimos?

Essa é uma pergunta que me fiz esta semana.

Mentir todo mundo mente. Uns mais, outros menos. Ninguém é absolutamente honesto e sincero o tempo todo.

A mentira social é o tipo mais comum. Ninguém responde a um desconhecido ou quase desconhecido que está com problemas sérios em resposta ao bem educado "E aí, tudo bem?". Apenas os íntimos e os amigos próximos recebem uma resposta sincera neste caso, e, mesmo assim nem sempre. Prum estranho a resposta é "tudo bem" mesmo.

Infelizmente, tal tipo de mentira é tão comum que é praticada até quando desnecessária. Por medo de ofender ou magoar inventamos desculpas quando não queremos ir naquele almoço dominical na casa do pai em que vai estar o tio Mala, a tia Enxerida e os primos Mala Sem Alça e Mala Sem Rodinha (ambos pesados). Preferimos dizer ao pai que já tínhamos um compromisso ao invés de sermos sinceros e dizer: "olha, não tou a fim de aguentar esse bando de chatos (há modos mais educados de dizer isso), então, pra não me aborrecer vou ficar em casa". Tenho certeza que ele entenderá, mesmo que aborrecido por não ter sua companhia pra compartilhar a chatice do domingo acompanhado dos parentes chatos. No máximo vai rolar uma chantagem básica por parte da sua mãe.

Além da mentira social mentimos em outras circunstâncias, de forma consciente ou não. Mentiras que podem trazer consequências ruins, para nós e para outros. Inventar desculpas no trabalho em equipe para não fazer sua parte, sobrecarregando os colegas, é a forma mais fácil de ficar queimada tanto na escola (faculdade, pós, o que seja) ou no trabalho. E, pode prejudicar seriamente o trabalho de todos, além de prejudicar a si próprio, pois chefes e professores percebem quem não fez nada e se aproveitou do trabalho alheio. A confiança vai por água abaixo.
Desculpas esfarrapadas para a perda de prazos, para a irresponsabilidade com o pagamento de contas, com o cumprimento de compromissos, entre outras coisas, só faz com que a pessoa perca a confiança dos que estão ao lado e ganhe fama de folgada.

Outro tipo de mentira é a pessoa que inventa uma história mirabolante sobre si mesma, seus feitos, viagens, conhecimentos, etc. Não se iluda, a verdade pode demorar mas acaba aparecendo. Conheço uma pessoa que conta uma história sobre certo relacionamento amoroso que teve. Já mudou os fatos da história tantas vezes que ninguém mais acredita. Ora o dito cujo era um crápula violento, ora nós amigas é que tínhamos inveja do relacionamento e falamos coisas que não existiram. A credibilidade dessa minha conhecida é zero hoje em dia.
Uma outra amiga só conta as histórias pela metade, sempre se fazendo de vítima ou de injustiçada. Por sorte essa moça tem péssima memória e sempre acaba se contradizendo, rs.

O pior tipo de mentira contudo é aquele que contamos na frente do nosso espelho metafórico ou real. O auto engano é muito comum, tanto que acho que ninguém escapa desse tipo de mentira. Infelizmente é o tipo mais danoso de mentira. Pode nos levar a cometer erros graves em nossa vida, e tb pode salvá-la. Porém, o auto engano na maior parte das vezes serve mesmo para prejudicar de forma absoluta nosso crescimento e amadurecimento. é a mentira mais grave, que deve ser mais perseguida e combatida, e, também a mais difícil de combater.