
Fui assistir hoje ao filme Quincas Berro D’ Água, baseado na novela literária A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado. O livro é uma das duas obras primas do autor, a outra é Tenda dos Milagres – opinião pessoal.
O livro e o filme falam sobre o que acontece a um defunto nas vinte e quatro horas seguintes à sua morte. No livro a história é contada como se a princípio tivesse ocorrido uma morte aparente, e o “morto” tivesse ressuscitado durante o velório, e, posteriormente tivesse morrido afogado. No filme é mostrado como morte real e os amigos do morto pegam seu cadáver, levam para a farra, sem aceitar sua morte, comportando-se como se Quincas não houvesse morrido.
A base da história é a mudança de vida do personagem principal. Quincas é um pacato funcionário público, cuja filha única é casada, que um dia se enche da vidinha regrada, de pequeno burguês, pacato pai de família, e, joga tudo para o alto, sai de casa e passa a ser o rei dos vagabundos da Bahia.
O pai de família Joaquim se torna o boêmio Quincas. O homem sóbrio o bêbado que nunca mais bebe água, apenas cachaça. O pai de família o frequentador de puteiros.
Para justificar seu sumisso a família inventa que o Comendador foi morar na Europa e lá morreu.
A morte de Quincas aproxima sua família de seus amigos. Obrigados a conviver no velório, ve-se o choque entre aqueles que ali estão por obrigação – sua família – e os que estão ali por amizade e amor sinceros – os vagabundos, bêbados e putas.
O filme dá destaque a um personagem que no livro é citado de forma apenas passageira: a filha de Quincas, Vanda. Mariana Ximenes a interpreta muito bem. Mais que a mudança radical de Quincas o filme mostra a transformação que a morte do pai provoca em Vanda. Na morte a filha se aproxima mais e profundamente do homem com quem não convivia há mais de década e meia.
Muito bom o filme, vale muito a pena assistir.
Maravilhoso o livro – como sempre melhor que o filme. Leiam pois é leitura indispensável.