Por que será que por mais que passe o tempo, por mais que nos esforcemos, sempre acabamos repetindo nossos erros?
Este início de ano resolvi estabelecer uma meta clara a respeito de organização. Para isso realizei uma grande faxina em meus papéis, objetos, e tralhas, joguei fora muitas coisas, guardei outras, num processo que consumiu pelo menos 3 semanas do mês de janeiro.
Entre outas coisas comprei uma pasta sanfonada, com doze divisórias, que marquei com os nomes de cada mês. Finalidade: colocar ali, separadas mês a mês as contas a serem pagas, os comprovantes de pagamento, comprovantes de garantia de bens duráveis comprados no ano, entre outras coisas.
Além dessa pasta comprei outras, e caixas para arquivos, etc.
O quarto ficou uma beleza.
E, já no mês de março a bagunça voltou.
A desculpa é a de sempre: falta de tempo. Só que procurar documentos gasta muito mais tempo do que organiza-los.
Bom, hoje ainda vou dar um jeito na minha mesa e nos papéis que a estão soterrando.
Retomo hoje as atitudes mais organizadas.
E me comprometo a retomar tais atitudes tantas vezes quantas forem necessárias até que manter minhas coisas em ordem se torne algo natural.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Inevitável?
Despejo na Favela (Adoniran Barbosa)
Quando o oficial de justiça chegou
La na favela
E contra seu desejo
entregou pra seu Narciso
um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor ,
assim dizia a petição
dentro de dez dias quero a favela vazia e os
barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior { 2x }
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não seu doutor
vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
em qualquer canto me arrumo de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco
minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás
Mas essa gente ai hein como é que faz???? {2x}
*****
Adoniran morreu há 28 anos, portanto, essa música certamente tem mais de trinta. Durante toda essa semana, vendo a situação do Rio de Janeiro tenho me lembrado dela. As chuvas fortes são um fenômeno natural, o fato das chuvas arrastarem barracos, destruirem casas em morros, causarem mortes, não.
Favelas existem no Brasil todo, há muitas décadas, quiçá mais de século. Favelas não se formam de um dia para o outro, começam devagar, com um ou poucos barracos, e vão crescendo. As autoridades municipais fingem não ver, a princípio. Depois, a medida que a favela cresce, as autoridades municipais, estaduais e federais investem no local, instalando eletricidade, água e esgoto, criam-se escolas, postos de saúde, as ruas são asfaltadas, etc.
O que seria uma missão fácil no início, quando a favela ainda está em formação, não é feito. Falo da retirada dos barracos, das famílias do local. Depois quando já existem muitos barracos e, portanto, muitos moradores, consequentemente, muitos eleitores, isso não é feito pois é impopular.
Além de ser impopular, retirar moradores de algum local implica em ter onde recolocar. Ou seja, para se remover uma favela é preciso que exista um planejamento prévio, com a criação de um bairro próprio em outro local, com toda a infra-estrutura que isso exige. E, mais que tudo, implica em saber o que fazer com o local a ser desocupado após a saída dos moradores, de forma que não volte a ser ocupado outra vez. Tal tipo de planejamento não é comum no Brasil.
A política habitacional brasileira obedece ao princípio do imediatismo. Também obedece ao princípio da vantagem eleitoral. Se for ano eleitoral certamente haverá a construção de casas populares, ou pelo menos sua entrega.
O Morro do Bumba, em Niterói, era um lixão, qualquer pessoa medianamente informada sabe que não se deve construir casas sobre um aterro sanitário pois existem riscos à saúde. Mesmo assim construiu-se toda uma favela sem que as autoridades fizessem qualquer movimento apra retira-los de lá, ao contrário, a prefeitura fazia melhoramentos no local.
Quem é o responsável pelo que ocorreu no Rio de Janeiro? Impossível apontar apenas um responsável, há muitos. Porém, todos os prefeitos e todos os governadores que tiveram a responsabilidade sobre as cidades e o Estado nas últimas décadas deveriam assumir a culpa pelas mortes e prejuizos.
Do mesmo modo todos os prefeitos que permitiram a construção de casas no Jardim Pantanal em São Paulo.
E todos que assumirem o poder e nada fizerem para mudar a situação serão responsáveis por tragédias que vierem a ocorrer no futuro.
O que podemos fazer para mudar isso? Podemos fazer o que se faz em outros países: não votar em tais pessoas, nem em seus partidos. Acha que isso não resolve? Resolve sim, pode demorar mas resolve. Se perceberem que os responsabilizamos pela sua omissão, pela sua inércia, vão passar a fazer a lição de casa. Tomarão as medidas para evitar as tragédias. Infelizmente, no Brasil, prevenção não dá votos. No dia em que falta de prevenção tirar votos a situação mudará.
Cabe a nós lembrarmos aos nossos administradores e governantes que eles recebem de nós um mandato, que pode ser cassado, e mais que tudo, recebem de nós, que pagamos impostos, os seus salários.
Está na hora de eles perceberem isso. Cabe a nós ensinarmos. E só faremos isso agindo dentro da lei.
Quando o oficial de justiça chegou
La na favela
E contra seu desejo
entregou pra seu Narciso
um aviso pra uma ordem de despejo
Assinada seu doutor ,
assim dizia a petição
dentro de dez dias quero a favela vazia e os
barracos todos no chão
É uma ordem superior,
Ôôôôôôôô Ô meu senhor, é uma ordem superior { 2x }
Não tem nada não seu doutor, não tem nada não
Amanhã mesmo vou deixar meu barracão
Não tem nada não seu doutor
vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator
Pra mim não tem problema
em qualquer canto me arrumo de qualquer jeito me ajeito
Depois o que eu tenho é tão pouco
minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás
Mas essa gente ai hein como é que faz???? {2x}
*****
Adoniran morreu há 28 anos, portanto, essa música certamente tem mais de trinta. Durante toda essa semana, vendo a situação do Rio de Janeiro tenho me lembrado dela. As chuvas fortes são um fenômeno natural, o fato das chuvas arrastarem barracos, destruirem casas em morros, causarem mortes, não.
Favelas existem no Brasil todo, há muitas décadas, quiçá mais de século. Favelas não se formam de um dia para o outro, começam devagar, com um ou poucos barracos, e vão crescendo. As autoridades municipais fingem não ver, a princípio. Depois, a medida que a favela cresce, as autoridades municipais, estaduais e federais investem no local, instalando eletricidade, água e esgoto, criam-se escolas, postos de saúde, as ruas são asfaltadas, etc.
O que seria uma missão fácil no início, quando a favela ainda está em formação, não é feito. Falo da retirada dos barracos, das famílias do local. Depois quando já existem muitos barracos e, portanto, muitos moradores, consequentemente, muitos eleitores, isso não é feito pois é impopular.
Além de ser impopular, retirar moradores de algum local implica em ter onde recolocar. Ou seja, para se remover uma favela é preciso que exista um planejamento prévio, com a criação de um bairro próprio em outro local, com toda a infra-estrutura que isso exige. E, mais que tudo, implica em saber o que fazer com o local a ser desocupado após a saída dos moradores, de forma que não volte a ser ocupado outra vez. Tal tipo de planejamento não é comum no Brasil.
A política habitacional brasileira obedece ao princípio do imediatismo. Também obedece ao princípio da vantagem eleitoral. Se for ano eleitoral certamente haverá a construção de casas populares, ou pelo menos sua entrega.
O Morro do Bumba, em Niterói, era um lixão, qualquer pessoa medianamente informada sabe que não se deve construir casas sobre um aterro sanitário pois existem riscos à saúde. Mesmo assim construiu-se toda uma favela sem que as autoridades fizessem qualquer movimento apra retira-los de lá, ao contrário, a prefeitura fazia melhoramentos no local.
Quem é o responsável pelo que ocorreu no Rio de Janeiro? Impossível apontar apenas um responsável, há muitos. Porém, todos os prefeitos e todos os governadores que tiveram a responsabilidade sobre as cidades e o Estado nas últimas décadas deveriam assumir a culpa pelas mortes e prejuizos.
Do mesmo modo todos os prefeitos que permitiram a construção de casas no Jardim Pantanal em São Paulo.
E todos que assumirem o poder e nada fizerem para mudar a situação serão responsáveis por tragédias que vierem a ocorrer no futuro.
O que podemos fazer para mudar isso? Podemos fazer o que se faz em outros países: não votar em tais pessoas, nem em seus partidos. Acha que isso não resolve? Resolve sim, pode demorar mas resolve. Se perceberem que os responsabilizamos pela sua omissão, pela sua inércia, vão passar a fazer a lição de casa. Tomarão as medidas para evitar as tragédias. Infelizmente, no Brasil, prevenção não dá votos. No dia em que falta de prevenção tirar votos a situação mudará.
Cabe a nós lembrarmos aos nossos administradores e governantes que eles recebem de nós um mandato, que pode ser cassado, e mais que tudo, recebem de nós, que pagamos impostos, os seus salários.
Está na hora de eles perceberem isso. Cabe a nós ensinarmos. E só faremos isso agindo dentro da lei.
domingo, 4 de abril de 2010
Roda Roda

“Roda, roda baleiro,
Atenção!
Quando o baleiro parar ponha a mão.
Pegue a bala mais gostosa do planeta,
Não deixe que sorte se intrometa,
Bala de leite Kids,
A melhor bala que há,
Bala de leite Kids,
Quando o baleiro parar...” (Renato Teixeira)
Levante a mão quem era criança e via o comercial das balas Kids. Parabéns você era criança nos anos 70!
Ontem estava no twitter e a Fal pediu para mandarmos lembranças de comidas dos anos 70, provavelmente para escrever uma das suas lindas crônicas.
Muitas coisas vieram de roldão na minha cabeça, e, a primeira foram as cascatas de bala de coco que enfeitavam as mesas dos mesus aniversários de infância. Balas de coco embrulhadas em papel de seda cortado a mão. Um trabalhão que envolvia minha mãe, minhas tias e avós e as respectivas empregadas.
Maria mole feita em casa, gelatina com creme, guaraná caçulinha, o Chicabon original (esse aí é cópia mal feita), comer asa de frango com minha avó, o caldo verde no 26/12 e no 2/1 de cada ano, para “limpar o corpo” das comidas gordurosas, o macarrão com molho de tomate e sardinha em lata, meu pai comendo sardinhas fritas.
Voltaram também outras lembranças mais doces e queridas: os almoços dominicais na casa dos avós paternos, com frango assado com batatas, e macarronada. Havia sempre vinho para o meu avô, vinho de São Roque, comprado em garrafão, que ele engarrafava e punha na mesa – uma garrafa de branco outra de tinto. Os tremoços que os homens comiam antes do almoço em imensas quantidades, a reunião de primos no quarto do meu irmão mais velho.
O quintal da vó com dois pés de café, uma figueira, e muitas plantas, um lugar pra se brincar, rir e tudo o mais.
Lembro do tempo que morava num prédio pequeno, de dois andares, em que quase todas as famílias tinham filhos, podíamos brincar no páteo atrás do prédio sem temor. Não havia grades nem porteiro, só o zelador que fazia todo o serviço do prédio, e cuja filha brincava conosco. Brincavámos livremente até de noite.
Lembro do meu irmão me ensinando a fazer pipa, com vareta de bambu, papel de seda, e cola de farinha. Das corridas de carrinho de rolimã feitos com tábuas de caixa da feira que tem na rua ali perto toda quinta-feira. Do campinho onde os meninos jogavam futebol e colhiam mamonas pra usar nos estilingues nas guerras de mamoma.
Da atriz (não vou citar nomes) que morava no apartamento abaixo do meu, cujos filhos eram nossos amigos e que organizava nossos shows e outras brincadeiras que usavam arte – lembro do show que fizemos na sua sala dançando em cima da mesa de jantar aos som de Help.
E os bailinhos com luz negra realizados nos domingos à tarde.
Dos campeonatos de ping-pong na garagem do Paulo César.
De brincar de casinha na escada do prédio com a Fátima, a Maria Lucia, a Adriana (Pulga). De jogar queimada no pátio.
Lembro de assistir Vila Sésamo, com a Araci Balabalian, a Sonia Braga e o Armando Bógus. Tinha o Garibaldo, o Caco e o Dudu. Assistia também o programa “A Praça é Nossa” com o Manoel da Nóbrega, e, de domingo na casa dos meus avós o Show de Calouros do Silvio Santos. Os jurados eram “coisa nossa”: Araci de Almeida, Pedro de Lara, Decio Piccinini.
Aos sábados havia o “Almoço com as Estrelas” apresentado pelo Ayrton e pela Lolita Rodrigues, havia o programa do Flávio Cavalcanti, o da Hebe, o Chacrinha com a Terezinha, a buzina e o bacalhau.
Você podia andar de bicicleta na rua, iamos para a escola sozinhos, o mundo era livre. Aliás a liberdade era a grande bandeira daquela época em que os hippies queriam mudar o mundo, e escandalizavam a família por viverem em comunidades, não tomarem banho e as meninas não se depilarem.
Lembro do dia em que minha mãe passou grudada no rádio, e com a tv ligada, acompanhando o incêndio que destruiu o edifício Joelma. Aliás, tínhamos a única tv a cores do prédio, uma Telefunken 26”, que levava 1minuto e meio pra esquentar as váluvlas e ela começar a funcionar.
Adorava e morria de medo da capa do disco do “Secos e Molhados” com as cabeças dos integrantes em bandejas. Isso na época que o Ney Matogrosso era do grupo. Aliás o Ney escandalizava o mundo com aquela maquiagem e todo aquele rebolado.
Rita Lee se orgulhava de ser a “Ovelha Negra” da família.
Lembro das novelas daquela época: O Astro, A Viagem, Mulheres de Areia, Selva de Pedra, A Escrava Isaura, entre outros. E, também dos desenhos: Scoob Doo, Os Flintons, Os Jetsons (rio hoje de lembrar como pensávamos que seria o futuro distante dos anos 2000), a Corrida Maluca, e o melhor de todos os desenhos: Speed Racer. Ainda chamo o Chim Chim de Zéquinha.
Saudades dos meus avós, do sítio onde meu pai fazia criação de frangos, ali em Cotia, pra onde íamos todo o fim de semana.
Saudades de ir no Instituto Butantã com o tio João e na volta comprar cigarrinho de chocolate na padaria da Vital Brasil. Nós íamos a pé desde a casa da nonna até lá, atravessando toda a avenida Vital Brasil.
Uma vez meus pais viajaram pros isteites, nos presentes uma boneca que falava e um carrinho da polícia com controle remoto – controle remoto com fio, bem entendido. Sem falar que me trouxeram uma “calça lee”. Jeans pra criança era coisa que não havia no Brasil. Amo até hoje.
A Barbie ainda não havia chegado aqui, tínhamos a Susi mesmo.
Meu pai costumava me deixar carrinhos matchbox embaixo do travesseiro, pra eu achar de manhã. Tive uma coleção respeitável.Sem falar no meu revólver cromado, sem espoleta. Mas era lindo. Amava brincar de polícia e bandido com o Ricardo, um vizinho da minha idade.
De noite meu pai assistia, depois da novela da mamma, os “enlatados”: Kojac com sua careca e seu pirulito, Ciborg, o Homem de 6 milhões de dólares, Bonanza, os filmes de bang bang, inclusive os italianos.
Onde você estava na noite de 13/10/1977? Eu estava na frente da TV vendo o Corinthians ser campeão pela primeira vez na minha vida. Se fechar os olhos ainda lembro das pessoas gritando, chorando, e comemorando, nas ruas e no estádio. Sou capaz de lembrar dos torcedores fazendo a volta olímpica do Morumbi de joelhos, rezando enrolados na bandeira do Timão.
Os filmes do Elvis e do Jerry Lewis na sessão da tarde. O cine Festival na Laceda Franco, o primeiro cinema em que entrei, com a Lola, a Fátima e toda a turminha, pra assistir “A Cama Voadora”, Oscar de Efeitos Especiais de 1971, rs. Hoje é um estacionamento, só resta a Pinheiros o Cinema da Vila, que naquela época era o Fiametta.
Gente, se não parar agora vou ficar a Páscoa toda recordando minha infância.
Fal, desculpe ter roubado o tema da crônica, mas, precisava escrever, pois as lembranças de coisas e pessoas vieram aos borbotões esta noite.
“E assim nas calhas da roda,
Gira a entreter a razão,
Este comboio de corda,
Que se chama coração” (Fernando Pessoa)
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