segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mãos

Nos últimos meses tenho tido imensa vontade de trabalhar com as mãos. Trabalhos manuais mesmo. Coisa a que nunca fui muito afeita.

Existem coisas que sempre quis fazer, e sempre fiz de forma manual, mesmo que esporadicamente. Pão é uma delas.

Seja por genética, seja por gostar de cozinhar (apesar de pouco fazê-lo), seja porque sempre achei que pão caseiro é delicioso, eu sempre gostei de fazer pão. O único que aprendi em casa é o chamado "pão da Páscoa", uma tradição portuguesa, passada pela minha avó. Na Semana Santa ela fazia pão, um pão a base de ovos, e distribuia pela família. Quando ela faleceu - a 32 anos - minha tia perpetuou a tradição. Hoje o Marcos (meu primo) e eu fazemos.

Dá trabalho, leva quase um dia todo pra massa crescer, quando cresce é uma correria pra assar (às vezes ele cresce bem no meio da madrugada,rs), mas, ele fica uma delícia.

Foi vendo minha avó e tia fazerem esse pão que entendi que cozinhar é um ato de amor. Elas o faziam com tanta satisfação, em quantidades grandes pra distribuir pela família toda, punham tanto delas mesmas no pão, que sinto mais falta do "pão da Páscoa" que de ovos de chocolate.

O legal desse pão, chamado "folar" em Portugal, é que suas receitas são diferentes conforme a região, e dentro de uma mesma região diferem de aldeia pra aldeia. Como dizem por lá: há tantas receitas de folar quanto aldeias em Portugal.

Semana passada eu fiz uma receita de pão integral. Ficou ótima. Só que segui a receita ao pé da letra e acabei fazendo pão demais que não aguentei comer. Mas, vou continuar fazendo. Só que meia receita, rs.

Mas, além de pão há outras coisas possiveis de serem feitas com a mão. E ando em busca delas. Ando até pensando em rever meus conceitos e aprender a usar uma agulha, rs.

Ontem, à tarde, fui visitar os ateliês do pessoal que participou do "Arte na Vila", um opem house dos artistas da Vila Madalena. Fui a pé, pois moro bem próxima, e só de pensar em "visita um lugar, anda 3 quarteirões, estaciona o carro, visita outro, etc." eu fiquei cansada. Mais fácil pedestrianisar - inventei o termo, deriva de pedestrianismo - e ir com calma. Tudo estaria muito bom se lá pelas 17 horas não tivesse desabado um toró daqueles que me prendeu no Fran's por um bom tempo. Humpft!

Mesmo assim deu pra ver várias coisas. Bonecas de pano de todas as cores e raças, esculturas feitas de arame, Chico Caruso (era o Paulo? ) fazendo caricaturas, e, uma exposição de cerâmicas que me deixou com água na boca de vontade de aprender a fazer.

Aliás, cerâmica e pão tem muitas coisas em comum: ambos são feitos de "massa", ambos fazem uma sujeira daquelas, ambos são "assados", ambos tem utilidade prática, ambos são bonitos. Só não sei se cerâmica no forno cheira tão bem quanto pão.