
Há alguns anos atrás, ou melhor, há algumas décadas atrás, se eu escrevesse a frase que dá título a este post não precisava colocar o nome do shopping, pois em São Paulo só havia um: o Iguatemi.
Inaugurado um ou dois anos antes de eu nascer foi o primeiro shopping de São Paulo e acho até que do Brasil. Durante muitos anos imperou só. O comércio de rua era forte, ainda é, o shopping era mais um local para se passear do que para comprar. As lojas do Iguatemi eram quase as mesmas que havia nas ruas, ele não tinha praça de alimentação, havia 3 cinemas, alguns restaurantes e lanchonetes bons, e alguns difereciais: a loja de discos Hi-Fi, as rampas na entrada, a Rinaldi Flores (no vão entre as rampas), o café expresso do Almanara, a feirinha de antiguidades no estacionamento aos domingos. Durante toda a minha adolescencia eu frequentei o Iguatemi. É próximo de casa, era pequeno, gostoso e acolhedor.
Ontem, depois de muito tempo, eu voltei lá. O shopping cresceu, ganhou novas lojas, ficou extremamente caro, pouco acolhdor e de uma ostentação que o torna meio hostil aos pobres mortais como eu.
As rampas ainda estão lá, sem a loja de flores da Rinaldi, substituida por um "jardim" que dá acesso a um banco. A Hi-Fi fechou há muitos anos, desde que o vinil foi substituído por cds, o café do Almanara está no 3º andar - embora o Almanara continue no canto do 1º -, a City Coisas fechou, tem uma loja da L'Occitane no lugar. Os diferenciais agora são a Louis Vuitton (onde antes era a Casa Moyses), a loja da Cartier no térreo, a da Bacarat (de cristais) e outras lojas de griffe muito caras.
Os cinemas que antes ficavam no 3º andar estão num "anexo" (é mais chique que puxadinho) com acesso por 3 escadas rolantes, bem acima do último andar do shopping, são 10 salas ao invés de 3 e muito caras (R$ 16,00 numa quarta feira é absurdo).
O shopping e o cinema estavam vazios. Apenas algumas peruas fazendo compras, e alguns executivos tomando lanche ou pegando um cinema depois do expediente.
Pra matar a saudade do velho Iguatemi comi um Beiruth com milk shake de chocolate no Frevo. Pelo menos isso ainda não mudou. Ah! o relógio de água continua no vão entre as rampas. Obrigado Senhor!
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O filme que fui assistir ontem foi "Milk - A voz da Igualdade"
Uma cinebiografia de Harvey Milk (1930-1978), político norte-americano que assumiu sua homossexualidade publicamente nos anos 70, interpretado por Sean Penn, sendo o primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público nos Estados Unidos. No ano seguinte, Milk foi assassinado por um adversário de carreira política desconsolado com a perda nas urnas.
| Estrelando: | Sean Penn, Josh Brolin, Emile Hirsch, James Franco, Diego Luna, Brandon Boyce, Kelvin Yu, Lucas Grabeel, Alison Pill, Victor Garber, Denis O'Hare, Howard Rosenman, Stephen Spinella, Ted Jan Roberts, Tom Ammiano |
| Dirigido por: | Gus Van Sant |
| Produzido por: | Bruce Cohen, Dan Jinks, Michael London |
O filme é politicamente correto demais. A história, real, se passa em São Francisco, EUA, nos anos 70, num bairro de homossexuais. Entretanto, não há negros, não há fumantes, só o namorado do cara fuma um baseadinho, não há mulheres (nem héteros nem lésbicas), e muito pouca bebida. E quase não se falam palavrões. Anos 70 do século passado com mentalidade de anos 00 do século XXI. Mais careta impossível. E mais improvavel também.
Outra coisa que me chamou a atenção no filme foi o preconceito contra heterossexuais. Sim, isso mesmo. Parece até vingança gay.Há poucos, muito poucos, personagens heteros. Que eu tenha contado são 3 e uma referência (em imagens reais de arquivo): o dono da loja da frente, Dan White, o senador Briggs e Anita Bryant (que aparece em imagens de arquivo). Todos são preconceituosos, conservadores, usam argumentos teológicos contra gays, numa mistura de ignorantes, trogloditas e fundamentalistas cristãos. Não existem heterossexuais inteligentes, ou não preconceituosos no filme de Gus Van Sant. Ou são precenceituosos ou são enrustidos (acusação feita no filme por Milk a Dan White).
Ou seja, um filme tão preconceituoso com heterossexuais como os filmes preconceituosos feitos por heteros sobre gays. Lamentável.