sábado, 31 de janeiro de 2009

Uma ilha


Eu gosto de escrever colorido.

E gosto de escolher e variar as fontes, tamanhos, etc.

Mania de quem gosta de escrever, especialmente de quem gosta de escrever à mão. E eu adoro. Erro muito menos, tenho mais liberdade, e a criatividade flui que é uma beleza.

Só não vario muito é o modelo de parágrafo que prefiro: justificado. Mania profissional. E, também, escolha pessoal. Fica bem mais bonitinho assim. Parece mais limpo, em ordem.



Nestas últimas semanas ando questionando tudo e todos. Dos meus sentimentos e atitudes, ao procedimento de entidades, pessoas, etc. A introspecção tem se feito presente, como sempre ocorre quando preciso olhar para dentro de mim.

Olho para dentro de mim sem deixar de olhar a minha volta. Nenhum homem é uma ilha, dizem. Talvez sejamos. Porém, a ilha que somos está ligada à outras ilhas, por pontes, embarcações, canais, túneis. Não é uma ilha deserta, é uma ilha repleta de eus, de outros. Quando olho para essa ilha, que sou eu, busco encontrar o que lhe é próprio, aquilo que me é natural, que faz parte de mim mesma, distinguindo daquilo que em mim foi colocado por outros, e mais importante: dentro do conteúdo que não pertence a mim naturalmente busco encontrar o que eu quero que permaneça e o que não me serve e deve ser descartado.

Não é fácil olhar para dentro desta ilha chamada Valéria. Deixei que ela se abarrotasse de pensamentos, hábitos, sentimentos. Nem todos são meus. Nem todos eu quero. Distinguir entre eles, seleciona-los, retirar os excessos, é um processo nem sempre fácil. Nem sempre agradável. Entretanto é necessário e estou disposta a levar isso a cabo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Barack Obama, meu pai e outras efemérides

Hoje foi o dia da posse do primeiro presidente negro dos EUA. Chama-se Barack Houssein Obama. Está sendo saldado por todos não só como salvador da pátria, mas, como salvador do mundo. Fez muitas promessas, a maioria das quais não terá condições de cumprir, só que não foi devidamente questionado por ninguém na imprensa. Não se viu, leu ou ouviu qualquer crítica a suas propostas, a não ser as que partiram de seu adversário. A imprensa abandonou o tom crítico usado com seu antecessor - tá certo que George W. Bush era um prato cheio pra cartunistas, humoristas, e qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e inteligência. Mesmo assim me espanta a falta de julgamento crítico das propostas de Obama.

É um homem culto, ótimo orador, bonito, carismático. A maioria de suas propostas são difíceis, se não impossíveis de serem cumpridas. Não terá como baixar impostos nem como melhorar o sistema de saúde pública americanos. Pelo simples motivo que herda um país falido. Sem dinheiro não terá como fazer corte de impostos, com sorte ele conseguirá evitar aumentá-los. Não terá como cumprir a maioria das propostas de melhoria social, pelo motivo acima exposto do déficit que herda de seu antecessor. Um rombo que se conta na casa de bilhões de dólares.

Não conseguirá cumprir sua promessa de retirar as tropas americanas do Iraque em 16 meses. Primeiro porque isso é impossivel do ponto de vista militar. Depois porque criariam mais um inimigo na região. E por último porque se o fizer estará repetindo o gesto de seu antecessor quando iniciou a guerra: Não tou nem aí com o Iraque nem com o resto do mundo. Porque falo isso? O governo dos Estados Unidos, e não o cidadão George W. Bush, declarou guerra ao Iraque, e destruiu o país. Sair agora, deixando um país destruído pelo governo americano, é dizer ao Iraque e ao mundo: Fodam-se. Além de irresponsável, é de uma arrogância incrível. Eles destruiram o país, eles que reconstruam. Às próprias expensas é claro.

Quando olho a reação das pessoas em relação a ele, sua veneração, sua esperança, me lembro que há poucos anos atrás o Brasil também elegeu um "salvador da pátria", uma pessoa que iria resolver todos os problemas do país por meros atos de sua vontade. Fomos igualmente cegos, nossa imprensa igualmente pouco crítica em relação a suas propostas. Falo de Fernando Collor de Mello. A única diferença foi que nossa nascente democracia retirou o então presidente Collor de forma legal, por meio do impechement. Lá pelas bandas dos EUA o pessoal é mais violento, e vários presidentes foram assassinados. Que Deus proteja Barack Obama, pois ele irá precisar.

Em tempo e antes que me esqueça: sei da importância histórica da eleição de um negro para presidir um país com um histórico de racismo tão forte como os EUA. Simbolicamente isso é importantíssimo. Só espero que pela falta de criticismo das pessoas, e pela carga de esperança depositada no homem Obama, ele não seja o primeiro e o último por várias décadas. E, principalmente, que não forneça motivos aos racistas para apontá-lo como exemplo negativo e desculpa para impedir outros negros de ascenderem a esse posto. Um mau governo de Obama causará mais danos à causa dos negros do que qualquer outra coisa.

*****

Saudade do meu pai. Se estivesse vivo ele completaria hoje 84 anos. Acho que ele foi a única pessoa que conheci que acreditou na história do Bush de que Saddan Houssein tinha armas químicas e de destruição em massa. Embora fosse um homem muito inteligente e sagaz em algumas coisas ele era de uma ingenuidade incrível.

Me lembro de um amigo dele que tinha caso com uma senhora casada. Meu pai era o único a não acreditar nisso. Sempre respondia: Mas ela é casada! Como se isso fosse impedimento a alguma coisa.

Por outro lado um homem culto, inteligente, trabalhador. Alguém que se fez por conta própria, com muito esforço e trabalho.

Saudades do meu pai, de seu jeito durão, secão, mas cheio de amor.

*****

Ontem fez 27 anos que morreu Elis Regina. Uma baita cantora que só comecei a apreciar bem depois de sua morte. Unia tecnica e emoção como poucas. Saudades de uma época em que cantoras como Elis Regina ainda tocavam em todas as rádios. Saudades de seu riso grande, da sua fala sincera sem preocupação de ser politicamente correta, de seu repertório maravilhoso, da sua solidariedade, da sua autenticidade.

Fiquem com Elis:


http://br.youtube.com/watch?v=6JWi1YMhW_0&feature=related



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Congelar no tempo

Muitas vezes já ouvi de colegas e amigos espíritas que trabalham com desobsessão a narrativa sobre espíritos que ficam como que parados no tempo. Algum ato praticado em alguma encarnação foi de tal modo forte em sua experiência evolutiva que o espírito dele não consegue libertar-se, revive-o continuamente. Só nele pensa, não se liberta da situação e, muitas vezes, sequer deixa que os demais espiritos envolvidos se libertem, perseguindo-os de formas variadas. Nem algoz nem vítima. Apenas um espírito que cristalizou sua existência num determinado ato, num determinado ponto do tempo infinito.

Infelizmente algumas vezes fazemos o mesmo em nossa experiência corpórea. Ficamos recordando e revivendo atos, fatos, palavras, discussões, sentimentos, de algo que já se perdeu no tempo. Muitas vezes me pego fazendo isso, tenho uma discussão com alguém próximo (costuma ser minha mãe a mais comum) e a repiso vezes sem conta. Uma bobagem infinita. Isso não resolve o problema que porventura tenha existido, e, muitas vezes serve apenas de alimento. Do mesmo modo já vi muitas vezes outras pessoas fazerem o mesmo.

Hoje, pensando no assunto, mais uma vez me surpreendi sobre o quanto de energia e tempo desperdiçamos dessa forma. Tempo e energias irrecuperáveis que poderiam ter sido melhor aproveitados e usados. E, mais uma vez me proponho a não deixar que isso torne a acontecer.

Sei que será difícil superar esse hábito. Mas, como todo hábito ruim não é impossível que seja removido. E, vou me esforçar ao máximo pra conseguir isso.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

50 livros em 2009

A idéia foi divulgada no blog Lector in Fabula de Nelida Capela, mas, eu descobri quando li o blog da Crauda, o Fazedora de Artes. Agora, lendo melhor o Lector in Fabula vi que a idéia original veio de outra blogueira Paula Silva.

Qual idéia afinal de contas é essa?
Ler 50 livros no ano de 2009. Na média de 1 livro a cada semana. Ou, 1 livro a cada 7,3 dias.

Dificil? Sim, muito. Especialmente para quem tem mãe idosa, trabalho, estudo, amigos, pratica atividade física 5 dias por semana e tenta manter a vida normal. Impossível? De forma alguma.

Vai daí que resolvi que sou capaz de ler os tais 50 livros ou pelo menos chegar perto disso.

Depois eu falarei sobre o primeiro livro que li integralmente em 2009, "Dinheiro, Trabalho, Espiritualidade" de Osho.

O próximo da lista é "Romanceiro da Inconfidência" de Cecília Meireles, que terei de recomeçar, pois está desde dezembro parado, pela metade. Então vou reler inteiro e depois comento.




terça-feira, 13 de janeiro de 2009

De descoberta em descoberta

O ano de 2009 começou bem. Em vários sentidos.

De eu estar trabalhando, mesmo que com poucos clientes, a eu estar me sentindo melhor comigo mesma.


Após dar um chute pro alto num emprego estável, que me mantinha há 6 anos, resolvi voltar a trabalhar por conta própria enquanto presto outros concursos.


Emprego esse que se me mantinha segura financeiramente, me mantinha louca, estressada, mal humorada, e chata pessoalmente.


Isso tem me dado mais tranquilidade pessoal, que tem se refletido em meu corpo.


O tanto de relaxamento físico que tenho conseguido não é brincadeira. E olhem que minha situação não é exatamente fácil: não tenho marido nem pai rico, então preciso me sustentar. Aliás eu que é sustento minha mãe.


Mesmo assim, meu corpo está mais relaxado e até mesmo, mais magro - a mulherada pode morrer de inveja. Sem grandes esforços nem dietas.


Tranquilidade pessoal faz um bem danado.


É claro que isso tem sido fonte de descobertas pessoais imensas. Algo enriquecedor num nível indescritível.



segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Deus

Lendo recentemente um livro de Osho, "Intuição, O Saber Além da Lógica", eu me deparei com o trecho abaixo, que expressa bem o que sempre pensei sobre Deus, mas, nunca consegui verbalizar.

"Se você não confia no incognoscível, então como pode dizer que a rosa é bela? Onde está a beleza? A beleza não é um componente químico da rosa. A rosa pode ser analisada e você não vai encontrar beleza nenhuma nela. Se você não acredita no incognoscível, pode fazer uma autópsia num homem após a morte - e não vai encontrar nenhuma alma. E pode continuar procurando Deus, mas não vai encontrá-lo em nenhum lugar, porque ele está em toda parte. A mente vai deixar de percebê-lo, porque a mente gostaria que ele fosse um objeto e Deus não é um objeto.

Deus é uma vibração. Se você está sintonizado com o som mudo da existência, se você está sintonizado com as palmas batidas por uma única mão, se você está sintonizado com o que os místicos indianos chamam de anahat - a música da existência - se você está sintonizado com o misterioso, você vai saber que apenas Deus é, e nada mais. Então Deus se torna sinônimo de existência."

Os negritos são meus.A sabedoria é de Osho.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Livros, livros, livros e alguns DVDs

Nos últimos tempos ando lendo muito, na média de dois livros por semana.
Sem aulas, sem trabalho, o tempo sobra e tenho aproveitado para botar a leitura em dia.

Dos que li nos últimos tempos gostaria de comentar alguns. Vou fazer quase uma retrospectiva dos melhores que li em 2008.

Entre os romances, sem dúvida alguma o melhor que li em 2008 foi "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite" da Fal Azevedo. O livro conta a história de Alma, uma artista plástica que relembra sua vida, intercalando passado e presente, contando suas perdas, e seu momento atual. Faz rir e faz chorar. Adorei também os títulos dos capítulos, todos com nomes de comidas.

Depois, ainda entre romances, adorei "O Guardião de Memórias" de Kim Edwards sobre como nossas escolhas podem afetar a nossa vida, e como a culpa pode destruir tantas possibilidades.

"Harry Potter e as Relíquias da Morte" de J.K. Rowling, é o fecho magistral da série. Amei, amei, amei.

"A Cidade do Sol" de Khaled Hosseini, mesmo autor de "O Caçador de Pipas", mais uma vez fala da sociedade afegã, dessa vez sob o ponto de vista de duas mulheres muito diferentes, que no entanto, vivem a mesma situação e tem de amparar-se uma na outra. Ah, a solidariedade feminina. O livro é lindo.

"O Menino do Pijama Litrado" de John Boyne, um romance ambientado na 2ª Guerra mundial, fala da amizade de dois garotos, um o filho do comandante de um campo de extermínio e outro um guri judeu preso no referido campo. Livro bem sensivel e bonito.

Outro que ganhei de presente de Natal - além do "O Menino do Pijama Listrado" - foi "O Vendedor de Sonhos" de Augusto Cury. Que conta a história de um mendigo que se transforma num mestre vendedor de sonhos e esperanças, numa sociedade (a nossa) em que sonhar parece ter se tornado sinônimo de loucura e ter esperança em sinônimo de irresponsabilidade.

Virei o ano lendo "Comer, Rezar, Amar" de Elizabeth Gilbert. O que é irônico é que li pelo menos 1/3 do livro no spa onde passei o Ano Novo. E foi exatamente a primeira parte, "Comer", cuja ação se passa na Itália. A tônica do livro é a busca de uma mulher pela própria espiritualidade e prazer. Até agora (estou +/- na metade do livro) eu estou gostando.

Entre os livros de não ficção, os mais marcantes foram os livros de Osho. Li dois livros desse autor: "Intuição - O Saber Além da Lógica" e " Religiosidade É Diferente de Religião" ambos muito bons, aliando espiritualidade e boas tiradas de humor. Nenhum dos dois, especialmente o último, é recomendado a pessoas cuja espiritualidade esteja ligada diretamente a uma religião específica, entretanto, são altamente recomendáveis a pessoas espiritualizadas, em busca de si mesmas e de Deus, que não se prendem a religiões ou doutrinas. Muito bons os livros. Adotei o autor.

Fora esses livros do Osho li muitos livros jurídicos, tando como necessidade de atualização para o trabalho como também pela necessidade de estudar para o curso de especialização. Assim, digno de nota o livro "Assédio Moral - A Violência Perversa no Cotidiano" de Marie-France Hirigoyen, que reli com calma e, trata com bastante cuidado o tema do assédio moral, não apenas nas relações de trabalho, como também nas relações familiares, de amizade, nas escolas, etc.

Mudando de tema, passo a falar de alguns filmes que vi, revi, em 2008.
"Tropa de Elite" foi muito comentado já, e acho que dispensa os meus comentários. Muito bom. Agora estou aguardando para ler o livro, que está na minha cabeceira.

Finalmente consegui o dvd de "O Labirinto do Fauno". Lindo o filme, muito bom e sensível.

"Speed Racer" foi a um só tempo um divertimento e uma decepção. Foi legal, foi colorido , cheio de efeitos especiais (é dos mesmos diretores de Matrix), mas, a história é fraquinha, a família do Speed é chata, a mãe dele um saco (nunca imaginei dizer isso de um personagem da Susan Sarandon), o pai um idiota, e o próprio Speed ficou chato no filme. Vale só pelas cenas de corrida e pelo Match 5 é claro. Ainda quero um carro desse de verdade,rs.

Fui pouco ao cinema, mas o último filme que vi na telona foi "Madagascar 2". Se vc tem filhos ou sobrinhos, aproveite para levá-los. Se não tem essa desculpa, assista sem vergonha que o filme é ótimo. Divertido e leve. I like movie, movie, movie...