terça-feira, 15 de julho de 2014

BRASIL E ALEMANHA – Uma Opinião




Passadas uma semana vou falar do famoso jogo Brasil 1 X 7 Alemanha.

Acho que todo mundo ainda está em relativo estado de choque. Tudo que se falar, e se falou, ainda carece de distanciamento, e ainda está carregado de paixão e frustração. Mesmo assim vou dar meu palpite.
O placar do jogo foi surpreendente, o resultado não.

A Seleção Brasileira vinha jogando mal desde o início da Copa do Mundo, em nenhum dos 5 jogos anteriores ela jogou bem, venceu e convenceu o torcedor de que poderia e merecia ganhar a Copa.

Dependíamos excessivamente de um só jogador: Neymar Jr.. Um craque, jogador diferenciado, alguém que costumamos ver como salvador da pátria quando o jogo não ia bem pra nós. Os adversários também viram isso. E, trataram de anular esse diferencial.A cada vez que Neymar estava com a bola nos pés surgia um marcador, depois dois, depois três, quantos precisassem para que ele não conseguisse jogar.

A solução parece óbvia para quem assiste o jogo da arquibancada ou pela TV: criar jogadas com outros jogadores, outras formas de atacar, de defender, de forma a realmente surpreender e não depender do craque. Por incrível que pareça tirar a responsabilidade dos ombros dele provavelmente o faria mais criativo, daria mais liberdade a ele para jogar, e marcar gols.

A primeira dificuldade é que para isso acontecer a Seleção precisava jogar como um time de 11 jogadores e não como um time composto de um craque e 10 auxiliares.

A segunda dificuldade é que para isso acontecer a Seleção precisaria ter treinado, treinos táticos e também treinos de fundamentos. O plano B, C, D, todo o alfabeto de planos, só funciona quando está devidamente assimilado por quem deve usa-lo.  Para isso é preciso treino. Se o jogador não conhece seus companheiros e não sabe o que fazer em campo ele não tem condições de criar nada. Só o ator que estudou bem o personagem, a peça, o texto e conhece os colegas de palco é capaz de improvisar no caso de um “branco”.

A terceira dificuldade é algo que no esporte brasileiro já se tornou doença crônica, sempre apontado depois de derrotas inesperadas, mas nunca solucionado a tempo: a falta de preparo emocional dos atletas. Isso ocorreu na partida entre Brasil e Alemanha pela semifinal da Copa do Mundo, já ocorreu em outros campeonatos, em outros esportes, sempre é apontado por quem de alguma forma acompanha e/ou pratica esportes de forma regular, mas por puro preconceito os dirigentes esportivos nunca dão atenção a esse aspecto.

Sim, esporte é paixão, é emoção, é treino, é tática e é controle mental. A falta de concentração já fez muita gente perder partidas em que teria toda a condição técnica de ganhar. E isso, essa falta de concentração, vem da dificuldade humana de lidar com as suas emoções. Boas e más. A psicologia do esporte é uma realidade que deveria ser mais utilizada pelos nossos dirigentes esportivos.

Naqueles seis minutos de “apagão” o que se via eram os jogadores brasileiros perdidos em campo. Olhavam um para o outro em desespero, sem saber o que fazer, sem ter alguém que lhes desse calma e tranquilidade para se reorganizarem e continuarem a partida. Um bom trabalho emocional que tivesse sido conduzido durante todo o período de preparação poderia fazer com que um ou mais dos jogadores em campo tivesse a tranquilidade suficiente para acalmar o grupo e reorganizá-lo. Não, isso não é garantido, o ser humano não é um robô. A possibilidade poderia ter existido, não existiu.

Por último deve ser destacado um aspecto que diferencia incrivelmente a Seleção Brasileira da Seleção Alemã. É a diferença entre o inteligente e o esforçado.

A Seleção Brasileira é inteligente. De modo geral os jogadores brasileiros jogam muito bem, temos facilidade com o futebol e com muitas outras coisas. Mas não somos esforçados, não gostamos de treinar, estudar, achamos que não precisamos nos privar de nada para termos resultados bons. O resultado é que jogamos no improviso, dependendo de “gênios” cada vez mais, de simulações, de catimba, etc..
Quando nos deparamos com um esforçado pela frente, não sabemos o que fazer.

A Seleção Alemã é o exemplo dos esforçados. Eles não tem a mesma graça dos brasileiros, a mesma ginga, não improvisam tão bem, não tem tanta facilidade, mas são muito dedicados. Treinam muito tanto a tática como os fundamentos do jogo, jogam em equipe, sem depender de craques mas dando espaço para que eles apareçam e resolvam, pois jogam despreocupados de ter de resolver o jogo. Os poucos craques alemães, ao contrário dos muitos craques brasileiros, não carregam nas costas o peso de ter sempre de jogar bem, do contrário seu time passará vergonha.

Além disso aquele que é esforçado tem muita vezes a vantagem de saber onde estão suas própria falhas e as de seu adversário. Ele estuda o adversário, e busca o melhor modo de jogar de forma a explorar suas falhas para aproveitá-la a seu favor.

O esforçado é humilde, sempre acha que pode aprender mais, o inteligente muitas vezes é arrogante, acha que sabe tudo, que é melhor que todos, e que não precisa nem aprender nem muito menos se dedicar.
No curto prazo o inteligente se sai melhor que o esforçado, no longo muitas vezes o esforçado evolui enquanto o inteligente estagna.

Quando o inteligente entende que o esforço, o estudo, a humildade, podem melhorar aquilo que ele já sabe fazer, então ele pode se tornar brilhante e imbatível. Enquanto não entender isso vai viver de glórias passadas, jogando a culpa de sua mediocridade nos outros, e se tornando cada vez menos inteligente. Pois inteligência também precisa de esforço para se manter.

Quando será que vamos perceber que precisamos ser mais esforçados, para que nossa inteligência brilhe?


A Copa dos Sustos



A Copa do Mundo de 2014 já acabou, o Brasil não foi campeão, e o susto permanece.

Susto? Que susto?

Um susto geral pelo que aconteceu durante essa Copa.

Susto um: apesar dos pesares houve menos transtornos do que se imaginava, e mais do que foi planejado.
As cidades que sediaram a Copa, como Rio, São Paulo, Curitiba, etc., tiveram muito mais transtornos com trânsito, turistas, sujeira do que foi prometido e do que poderíamos esperar. Culpa não apenas do elevado número de turistas como também, e principalmente, da falta de planejamento das prefeituras.

Exemplos: Os turistas sul americanos em muitos casos vieram de carro e motorhomes dispostos a ficar em campings. Brasileiros não estão acostumados a esse tipo de viagem, ou turismo, então não havia estrutura para campings nas principais cidades. Isso causou problemas no Rio, por exemplo, com pessoas dormindo na praia.

Em São Paulo o bairro de Vila Madalena não estava estruturado para receber tantos turistas, a Prefeitura simplesmente não imaginou o óbvio, e levou duas semanas para tomar providências, mesmo assim, providências que ficaram aquém no necessário. Sem falar que a Polícia levou um mês para “descobrir” que nos dias de jogos o tráfico de drogas rolava solto por lá, apesar de todos os jornais, e mídias noticiarem o fato e dos moradores se queixarem disso. Apenas nos últimos jogos colocou policiamento ostensivo.

Susto dois: os turistas são simpáticos, alegres, mas não tem todo o dinheiro que  imaginamos, acham as coisas caras, e buscam soluções mais baratas. Eles não são trouxas. E, alguns deles são violentos, mal educados, e brigões.

Acho que muitos brasileiros, principalmente os “isperrrtos”, se surpreenderam com isso. O lucro foi menor que o planejado para quem achou que poderia aumentar os preços sem qualquer justificativa. Quartos e casas ficaram vazios pela ganância de proprietários que acharam que poderiam cobrar alugueis abusivos.

Susto três: a Seleção Brasileira jogou mal. Muito mal. Desde o primeiro jogo.

O Brasil não foi campeão em campo. Pra falar a verdade não tinha a menor condição de ser. Quem assistiu os jogos da Seleção Brasileira sabe que ela jogou muito mal, nos jogos da fase de grupos foi um desastre, se seu principal jogador não estivesse num grande dia e não conseguisse furar a barreira dos zagueiros da seleção adversária não se tinha alternativa.

O grupo foi mal treinado técnica e taticamente. Pra piorar não conseguiu, por falta de preparo e suporte, suportar a pressão da disputa em seu próprio país. Fora que se vendeu ao público, como sempre de forma exagerada, a “certeza” de que tal campeonato seria fácil de conquistar.

Embora existam diversas teorias conspiratórias, desde que a Copa havia sido comprada pelo Brasil, até a de que foi vendida pelo mesmo Brasil, a verdade é que não merecíamos ganhar.

Infelizmente a Seleção só demonstrou isso de forma clara através de uma goleada acachapante na fase semifinal.

Susto quatro: pela primeira vez não há UM único culpado pelo fracasso da Seleção. Não houve um único jogador, ou um único juiz, que tenha sido responsável. Perdemos porque toda a forma de preparo da Seleção, bem como da Copa, foi feita de maneira equivocada.

Continuamos a depender de craques, de lances isolados, do “gênio”, porém o futebol é esporte coletivo. O time precisa saber jogar bem mesmo nos dias em que o “gênio” não está genial. No dia que o Brasil, e os times brasileiros, aprenderem isso, voltaremos a ter o mesmo magnifico futebol que tínhamos até por volta dos anos 80.

Susto cinco: apesar de tudo que poderia dar errado acabou dando tudo certo. Nesse quesito o famigerado “jeitinho brasileiro” agiu para o bem. Demos um jeito na falta de infraestrutura, nos aeroportos incompletos, nos estádios pela metade, nas ruas e avenidas não terminadas, na falta de transporte público, em tudo que poderia ter transformado essa Copa num tremendo fiasco, e de algum modo fizemos o que deveria ser feito para receber bem quem aqui esteve.


Agora falta fazer o dever de casa: terminar o que está pela metade, pagar as contas, e seguir em frente. Com a mesma determinação e alegria.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Observações sobre a São Silvestre 2012.


Já se passou quase um mês da 88ª Corrida Internacional de São Silvestre mas, creio que as observações que farei não estão atrasadas, pois as críticas que faço tem por objetivo a melhoria da própria corrida.

A São Silvestre é considerada por muitos como a “mãe das corridas de rua brasileiras”, título que faz jus por ser a mais antiga, só que nos últimos anos ela também vem fazendo jus ao título de “madrasta” dos corredores.

Em 2011 a corrida teve locais distintos para largada e chegada, largando na Av. Paulista, como sempre, e chegando no Parque do Ibirapuera. Questionado sobre as dificuldades que os corredores enfrentariam em relação a transporte público e também em relação ao fato de que quem fosse de carro teria de voltar para a região da Av. Paulista para pegá-lo, o diretor da prova respondeu, de maneira grosseira, que isso não é problema da organização, é problema do corredor, ele (o corredor) que se vire. Esse descaso com o corredor já existe há muito tempo nessa prova, e tem ficado cada ano pior.

A corrida de 2012 teve inúmeros problemas, todos eles causados pelo descaso da organização, todos eles passíveis de solução, bastando que se queira e se aja. Vou abordar os que me chamaram a atenção. Antes, porém, faço a observação de que houve cerca de 28.000 inscritos (os números de peito iam até esse número), que pagaram R$ 120,00 (cento e vinte reais) cada um para participar da corrida. Fora os corredores inscritos havia os não inscritos, os famosos pipocas. O valor total arrecadado com inscrições foi, portanto, em torno de R$3.000.000,00 (três milhões de reais) – estou levando em conta os corredores isentos. Fora o que é arrecadado por meio de patrocínio.

Primeiro problema: retirada de kit. Quando fui retirar o kit (por volta de 10 hs do dia 28/12/2012) havia uma fila imensa e nela passei uma hora e meia. Tal fila tinha dois motivos principais: a) pequeno número de funcionários para entregar os kits; b) imensa burocracia para a retirada do kit. A fila poderia ser muito menor, ou até mesmo inexistente se os organizadores tivessem colocado no mínimo o triplo de pessoas atendendo aos atletas, e principalmente se a entrega do kit não fosse tão burocrática. Pra que reimprimir uma coisa que podemos levar já impressa e assinada de casa e, que nos pedem para levar assim? Por que praticamente refazer o cadastro? Outra solução, já adotada por algumas empresas que organizam corridas de rua, seria promover a entrega domiciliar do kit com a cobrança de taxa específica para tal. Essa entrega seria facultativa e a entrega deveria ser feita por empresa particular, já que no final do ano há sempre acumulo de entregas e atraso dos correios.

Segundo problema: sanitários. Os sanitários químicos estavam instalados no vão do MASP, mas não havia qualquer tipo de manutenção sendo feita, nem antes nem durante nem depois da corrida. Antes mesmo da largada os sanitários femininos já não tinham mais papel higiênico, e passar pela lateral do MASP depois da chegada só de nariz tampado, tal o mau cheiro. Quem viu o mapa do percurso notou que eram previstos sanitários em vários pontos, especialmente próximos dos postos de hidratação. Mas, numa corrida com 28.000 inscritos e outro tanto de pipocas em tais locais havia apenas uma ou duas cabines no máximo, o que levou em alguns lugares a formação de filas.

Terceiro problema: largada. A largada da São Silvestre não obedece a nenhum tipo de critério e não tem qualquer organização. São colocadas bandeira (estandartes) informando o pace de quem deve largar ali, mas, não há nenhum controle. O resultado é que caminhantes se posicionam lá na frente, junto com corredores rápidos e os queridos corredores fantasiados (eu adoro). Divisão pelo critério de tempo, com o fornecimento de pulseiras coloridas para indicar o local da largada já é comum em corridas de rua brasileiras, e a largada por ondas também já vem sendo praticada. Em ambos os casos o local da largada é cercado e há fiscais controlando o acesso dos corredores conforme o pace.  Se houvesse algo parecido pelo menos se evitaria que aqueles que vão ali para competir, e não apenas para festejar tivessem alguma chance. Nem se alegue que numa corrida com tantos corredores é impossível tal controle pois ele é feito em corridas com número semelhante de participantes, como a Maratona de Nova Iorque por exemplo, que tem largada em ondas.


Quarto problema: entrega de medalhas. Este problema pode ser dividido em dois: a) a comunicação dada pelos alto-falantes era de que havia um posto de entrega de medalhas na Alameda Campinas, (cheguei 2 horas depois da largada) recomendava várias vezes que os corredores fossem pra lá. Mas, outro funcionário informava que ali não tinha mais medalhas. Por que então ninguém passava a informação para o locutor? Não havia ninguém com intercomunicador entre o staff? O locutor não tinha um intercomunicador? b) as medalhas eram entregues em corredores estreitos, bem estreitos. Tão estreito que um corredor/cadeirante não conseguia passar para pegar sua medalha. Duas observações: por que os cadeirantes não tinham local apropriado para a retirada de medalhas, com espaço para cadeiras de rodas? Por que os corredores eram tão estreitos e tão longe da chegada?

Quinto problema – o mais grave: falta de planejamento da prova de cadeirantes. Os cadeirantes largaram cerca de duas horas antes dos demais corredores. Logo depois de largar há um imensa descida, verdadeira pirambeira, na rua Major Natanael, e ao fim dessa descida há uma curva à esquerda para se contornar o Estádio do Pacaembu. Nessa curva um cadeirante perdeu o controle da velocidade e bateu com força no muro do estádio, sofrendo esmagamento de tórax e falecendo pouco depois. Até eu que não sou especialista imagino que deveria ter algum tipo de proteção, barreira de pneus é o que me ocorre. Mas não havia nada, e ao que parece a organização não buscou se informar (segundo o que li na imprensa) sobre quais medidas para proteger os pontos vulneráveis da prova.

Sexto problema: postos de hidratação e isotônicos. Postos de hidratação: água quente, de garrafa, e em pequena quantidade – não era raro as barracas estarem vazias nos postos. Postos de isotônico: no primeiro praticamente já não havia isotônico para os corredores, e no segundo a distribuição era mal feita, desorganizada e havia isotônico em apenas 2 das barracas. É tão difícil assim servir isotônico e água gelada em número suficiente para todos os corredores, inscritos e pipocas? Só pra constar todo ano a corrida de São Silvestre tem proporção semelhante de corredores inscritos e pipocas, então a organização tem ideia de quantos participam da prova e pode se preparar.

A Corrida Internacional de São Silvestre é corrida e festa de fim de ano. A princípio se privilegiava a corrida, nos últimos anos vem se privilegiando a festa. O que eu peço, e pelo que li em vários blogs outras pessoas também pedem, é que se dê o mesmo peso à festa e à corrida, afinal quem a mantém são os corredores, são eles que pagam inscrição, treinam, e dão sentido à corrida.

Além disso é de notar que a relação entre os corredores inscritos e a organização da prova é consumerista, o corredor inscrito é um consumidor de um serviço, e tem os mesmos direitos de qualquer outro consumidor. Infelizmente como tantos outros prestadores de serviço,  a organização da corrida cobra caro e presta péssimo serviço em troca. Talvez esteja na hora de irmos ao Procon.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

São Silvestre 2012 - Eu fui!


A São Silvestre é a corrida que fecha o calendário de corridas brasileiros. Em 2010 realizei o sonho de correr a prova pela primeira vez, como contei aqui. Ano passado não corri, principalmente por estar machucada e também por achar um absurdo a chegada da prova ter mudado de lugar, da Av. Paulista para o Parque do Ibirapuera. Este ano, largada e chegada foram na Paulista.


A festa foi muito boa! Como sempre a São Silvestre é misto de corrida, com atletas profissionais e amadores, e aqueles que só estão ali para se divertir. 

Cheguei cedo, por volta das 7:30, de táxi. Deu para fotografar algumas coisas e um rapaz de Recife me pediu pra tirar uma foto dele, acabei pedindo pra tirar uma minha também 


Fui colocar a mochila no guarda-volumes que ficava atrás do MASP e voltei. Fiquei por ali, tirei fotos, vi o movimento aumentar, as pessoas foram chegando:

Estava num bom lugar, MASP, próxima à placa de quem corre em 7'30" o quilômetro e fiquei batendo papo com um rapaz. Me alonguei e espere a largada, que atrasou. 

Durante todo o tempo vi a Noiva, o "cantor" Falcão (fantasia), Yellow Man, um Bambam com jeito de Pedrita, Homem Aranha, homem fantasiado de esqueleto, O Rei com coroa e cetro, o incrível Hulk e tantos outros.

Dada a largada corri uns tempos junto a um torcedor do Coritiba, depois outro fantasiado de Falcão, perto do Estádio do Pacaembu. Na avenida Pacaembu me deparo com o "rei" Roberto Carlos de microfone em punho e o ultrapasso. Uma Abelha passa por mim, e um cara vestido de cobra com uma "cuia" na cabeça (cuia foi a única palavra que me ocorreu pra descrever aquilo. O mosquito da Dengue tava correndo também, mas ninguém o queria por perto. 

Um pouco adiante um homem corria com uma camiseta com os seguintes dizeres nas costas: Marta vencerá o câncer de mama e eu a Brigadeiro. Espero que os dois desejos se realizem. 

Nos postos de hidratação a água estava quente, alô Schincariol ninguém merece isso. Os postos de fornecimento de isotônico (gatorade) estavam lotados e com fornecimento defeituoso. 

O Viaduto Orlando Murgel marca o meio da corrida, e termina na avenida Rio Branco onde um grupo de pessoas incentivava os atletas cantando algo como: Parabéns, quem corre a São Silvestre já é campeão. Incentivo muito bem vindo.

Na rua Líbero Badaró outro posto de àgua e gatorade. Ali vi o Rui, com quem treinava na USP. Por muitos motivos o Rui é meu "ídolo" nas corridas. O principal deles é por seu exemplo de vitalidade e humildade. Uma pessoa de 75 anos que corre muito, é disciplinado, humilde e deixa muitos corredores mais novos, eu inclusive, comendo poeira. Consegui alcança-lo na frente das Arcadas e o cumprimentei.



Depois de contornar a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco parei pra tirar algumas fotos da Brigadeiro. Um colega corredor, José é seu nome, tirou uma foto minha.

Nessa altura faltavam menos de 3 quilômetros pra terminar a prova. E iria se iniciar A SUBIDA. A subida da Av. Brigadeiro Luiz Antônio, que começa na rua Maria Paula e termina na Av. Paulista, com cerca de 2 Km de extensão.

Subi correndo, a maior parte do tempo e caminhando alguns trechos. Em determinado momento um rapaz tentava "animar" os corredores gritando que era uma corrida e não uma caminhada. É querido? Então porque você tá aí parado ao invés de estar correndo. Única hora em que realmente me irritei na prova.

O aviso de Km 14 estava próximo da rua 13 de maio. O derradeiro quilômetro estava por vir. Outro rapaz nos avisava: força, tem só 300 metros de subida.

Entrei na Av. Paulista e acelerei. Fiz festa pra câmera do pórtico de chegada e fui receber minha medalha.

Em casa abri a garrafinha de Proseco que tinha posto pra gelar. Dá apenas pra pouco mais de uma taça de champanhe. 

Estou cansada, com as pernas doendo, e muito feliz.

Amanhã, vou fazer a crítica da corrida, pois, como sempre, ela pecou na organização.

FELIZ ANO NOVO A TODOS!





sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Carta de Amor




Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Eu tenho zumbi, besouro o chefe dos tupis
Sou tupinambá, tenho erês, caboclo boiadeiro
Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris
Zarabatanas, curarês, flechas e altares.
A velocidade da luz no escuro da mata escura
O breu o silêncio a espera. eu tenho jesus,
Maria e josé, todos os pajés em minha companhia
O menino deus brinca e dorme nos meus sonhos
O poeta me contou
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe não
Não misturo, não me dobro a rainha do mar
Anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile
Das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do
Ouro de oxum que é feita a armadura guarda o
Meu corpo, garante meu sangue, minha garganta
O veneno do mal não acha passagem e em meu
Coração maria ascende sua luz, e me aponta o
Caminho.
Me sumo no vento, cavalgo no raio de iansã,
Giro o mundo, viro, reviro tô no reconcavo
Tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de
Ser uma traço o cruzeiro do sul, com a tocha
Da fogueira de joão menino, rezo com as três
Marias, vou além me recolho no esplendor das
Nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo
Na forja de Ogum, mergulho no calor da lava
Dos vulcões, corpo vivo de xangô
Não ando no breu nem ando na treva
Não ando no breu nem ando na treva
É por onde eu vou que o santo me leva
É por onde eu vou que o santo me leva
Medo não me alcança, no deserto me acho, faço
Cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo
Meus pés recebem bálsamos, unguento suave das
Mãos de maria, irmã de marta e lázaro, no
Oásis de bethânia.
Pensou que eu ando só, atente ao tempo num
Começa nem termina, é nunca é sempre, é tempo
De reparar na balança de nobre cobre que o rei
Equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça
Eu não provo do teu féu, eu não piso no teu chão
E pra onde você for não leva o meu nome não
E pra onde você for não leva o meu nome não
Onde vai valente? você secô seus olhos insones
Secaram, não vêêm brotar a relva que cresce livre
E verde, longe da tua cegueira. seus ouvidos se
Fecharam à qualquer música, qualquer som, nem o
Bem nem o mal, pensam em ti, ninguém te escolhe
Você pisa na terra mas não sente apenas pisa,
Apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as
Teclas do teu piano, você está tão mirrado que
Nem o diabo te ambiciona, não tem alma você é
O oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo.
O que é teu já tá guardado
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar,
Não sou eu que vou lhe dar
Eu posso engolir você só pra cuspir depois,
Minha forma é matéria que você não alcança
Desde o leite do peito de minha mãe, até o sem
Fim dos versos, versos, versos, que brota do
Poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita
Na palma da inspiração de caymmi, se choro, quando
Choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que
Alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes
Que você secou.
Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e
Sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e
Quero me molhar. o terço de fátima e o cordão de
Gandhi, cruzam o meu peito.
Sou como a haste fina que qualquer brisa verga
Mas, nenhuma espada corta
Não mexe comigo que eu não ando só
Eu não ando só, que eu não ando só
Não mexe comigo

Fênix


Os últimos tempos tem sido plenos de pensar, reformular e mudar. Nem sempre consigo fazer a última parte que é mudar, mas, sempre fica a vontade, a iniciativa, o impulso. E, sempre há alguma mudança, mesmo que pequena.

Mudanças para mim não são drásticas, repentinas, não ocorrem de uma hora para outra, a não ser as bem superficiais. Mudanças verdadeiras ocorrem de dentro pra fora, resultado de reflexões e sentimentos. 


É fácil mudar aspectos exteriores de algo, ceder a um argumentador inteligente e insistente, deixar de fazer ou passar a fazer alguma coisa porque "se não você vai morrer" - como se alguém não fosse morrer - ou porque "se não você vai para o inferno", ou por qualquer outro tipo de medo. O que significa que a pessoa não mudou, apenas está com medo de algo, ou alguém.


Quando a pessoa muda por medo, a partir do momento em que o medo acaba a mudança também acaba. Uma mulher que para de fumar porque está grávida e isso pode prejudicar o bebê em formação provavelmente voltará a fumar depois da gravidez. Alguém que para de beber porque está com problemas no fígado tenderá a voltar a beber se o problema for solucionado.


A mudança feita em decorrência de reflexões e sentimentos, nem sempre é possível separar o sentimento da reflexão, é a mudança de dentro pra fora, aquela feita sem pressão, sem medo, como consequência da vivência pessoal, e, portanto, é mais verdadeira, sincera, profunda. Ela muda porque sente, lá no fundo, que aquilo é melhor para ela.


Esse tipo de mudança, mais profundo e real, é muitas vezes doloroso, importa em perdas, e em ganhos. Mas, tem uma recompensa incrível: a paz interior.


Para mim a fênix é o melhor símbolo desse tipo de mudança, pois ela se transforma totalmente, renascendo das cinzas. 


Das pessoas que costumam ser usadas como paradigmas de mudança, a que mais me comove é Francisco de Assis. Ele tinha tudo para ser uma pessoa acomodada, com uma vida rica e cheia de luxo, com sucesso financeiro, social, familiar. A guerra, a prisão e a doença o fizeram mudar. O processo inicial de mudança levou mais de um ano - pra ele ter coragem de começar a questionar. O processo todo levou mais de 20 - entre seus questionamentos iniciais e sua morte aos 44 anos de idade. 


Donald Spoto na introdução da biografia de Francisco de Assis, chamada de O Santo Relutante, assim se expressa:


" Grande parte da vida desse homem permanece obscura e ambígua, mas há algo indubitável: na segunda metade de sua existência a presença de Deus o deslumbrava, até mesmo quando mais agudamente sofria os males da grave doença, a cegueira e a perda de suas mais caras esperanças. De certa forma, sua vida às vezes parece (mas somente parece) uma prolongada luta contra a futilidade. Creio que essa é a chave para compreendê-lo.


O Santo Relutante foi escrito a partir da perspectiva do autor, para quem a fé consiste principalmente em uma atitude diante da realidade. Em última análise, foi isso que me levou a Francisco de Assis - o fato de que ele entendia sua jornada em direção a Deus como um processo, um constante aprofundamento e ajuste de suas aspirações, um refinamento do que ele presumia ser a vontade de Deus e um aperfeiçoamento de suas próprias boas intenções. Nesse sentido, sua conversão não foi um acontecimento de um único dia, mas sim a obra de toda uma vida.


Após tantos séculos, essa pode ser a razão pela qual tanta gente considera sua vida ao mesmo tempo comovente e pertinente. Francisco tinha uma percepção muito clara de si mesmo, e compreendia ainda melhor quem era Deus." (grifos e negritos meus)


Uma outra pessoa que vejo, se não como modelo, pelo menos como exemplo dessa mudança profunda e real, é bem contemporânea, brasileira e não cristã. Trata-se da Monja Coen, uma paulistana de 64 anos, nascida em família de posses, que antes de conhecer o budismo teve uma vida bastante movimentada, cheia de mudanças repentinas, que a faziam pensar, tentar e buscar. Quando conheceu o budismo mudou completamente de vida. Isso não foi um achado repentino, foi o resultado de uma busca que vinha acontecendo desde muito antes. O processo foi cheio de altos e baixos, de marchas e contra-marchas, até que encontrou o caminho que fez sentido para si, e nele permanece até hoje.  O perfil resumido que fiz acima foi tirado da Revista 02, de abril de 2012, do artigo Meditação em Movimento, do jornalista Rodolfo Lucena. Infelizmente não consegui o link do artigo, que tenho em pdf.


Acho que esses dois exemplos - Chico de Assis e Monja Coen - bastam para explicar que mudança pra mim é um processo, algo em movimento, algo vivo, não estático, e permanente. Mas, se verdadeiro e sincero, produz mudanças significativas na vida da pessoa e pode afetar a vida daqueles que estão próximos a ela.






domingo, 8 de julho de 2012

ALEGRIA E SAUDADES


As pessoas que me conhecem sabem que sou corintiana. Desde que nasci. Quando era pequena havia uma pequena “competição” entre meus pais para o time que eu torceria, se Corinthians como meu pai ou Palmeira como minha mãe. O velho ganhou a parada, até porque contava com a colaboração dos meus irmãos mais velhos, além disso minha mãe é a pior torcedora que um time pode ter.

Aos 10 anos, em 13 de outubro de 1977, tive a alegria de ver meu time se sagrar campeão paulista, depois de 23 anos de jejum. As imagens da festa no estádio do Morumbi, com torcedores fazendo a volta olímpica de joelhos, enrolados na bandeira do clube, as lágrimas, estão gravadas na minha retina e no meu coração para sempre.

Houve outras datas importantes, como o primeiro campeonato Brasileiro em 1990, mas nenhuma que tenha se comparado, até este ano. Este ano, 2012, depois de 102 anos, ganhamos a Libertadores. E aqui peço licença pra berrar: VAI CORINTHIANS!!!!!!

Ele foi. Foi, viu e venceu. Em casa. Na nossa casa o Pacaembu. O estádio pode ser municipal, mas de coração é corintiano.

A noite foi memorável. Quem estava em São Paulo é testemunha: só em final de Copa do Mundo com o Brasil disputando a taça se viu tanto silêncio nas ruas durante um jogo. E havia apenas dois tipos de torcedores – os corintianos e os anticorintianos. Estes últimos abrangiam os torcedores de todos os demais times paulistas e brasileiros.

Minha mãe palmeirense foi dormir ofendida, porque acabei dizendo pra ela não encher que eu iria gritar e xingar o que quisesse, afinal era a final. E xinguei e gritei até o final, e continuei gritando por muito tempo, comemorando, vendo a premiação, ouvindo fogos, me emocionando e também comemorando na internet, especialmente no facebook. Fui deitar lá pela uma e meia da madrugada, mas só peguei no sono lá pelas três.



Durante todo aquele dia quatro de julho, durante o jogo e depois, teve uma pessoa que não me saiu do pensamento. Corintiana é claro. E das mais roxas. O nome dessa pessoa era Jucília, a Ju. Ela faleceu há uns 3 meses atrás, de câncer.

Hoje a tarde fui ao salão pra fazer pé e mão. Lá a manicure, também corintiana, me perguntou: adivinha em quem eu pensei durante o jogo? Na Ju é claro. Meia hora depois chegou outra amiga corintiana, das mais fanáticas, que também tem pai palmeirense, que ficou horrorizado com os palavrões que a filha maloqueira e sofredora soltava durante o jogo. Ela também lembrou da Ju durante e depois do jogo.

Ficamos as três imaginando como a Ju estaria feliz com o jogo, com o título, com a taça. Bateu uma saudade danada.

Alegria pela vitória, saudade pela perda.

O jogo, o título, irá passar com o tempo, a recordação da emoção ficará. De modo mais profundo a lembrança da pessoa permanecerá em mim.

A saudade de um amigo permanece nas coisas que o lembram, nas pessoas que ele tocou e emocionou. Sempre irei lembrar da Ju quando tomar caipirinha, quando lembrar da primeira Libertadores do Corinthians, quando ouvir os berros do Galvão Bueno (que eu detesto e ela amava).  Saudades.